
O jogo de xadrez é o elo da exposição
MIN – Museu Imaginário do Nordeste, Departamento da inserção do ato num sistema de regras, Seção: Imateriais, que será aberta nesta segunda-feira (07), às 16h, na ACBEU (Associação de Cultura Brasil-Estados Unidos), que fica no Corredor da Vitória. Fotografias, objetos e filmes, como
O Pátio, a primeira produção cinematográfica de Glauber Rocha (1939-1981), poderão ser vistos na mostra, que integra a programação da segunda etapa da 3ª Bienal da Bahia, permanecendo em cartaz até o dia 7 de setembro.
O projeto ainda reúne os nomes Abraham Palatnik (com a obra em madeira e resina
O Xadrez), Ana Cristina Cesar (texto extraído de uma de suas últimas produções,
Pasta Rosa – Inéditos e Dispersos), Ingmar Bergman (still de
O sétimo Selo), Maxim Malhado (xadrez em madeira e cerâmica, com peças inspiradas em ânforas de cerâmica), Paulo Bruscky (
O Jogo de Xadrez, em madeira e papel), Paulo Meira (
Épico Culinário, filme) e Rogério Duarte (
Xadrez – I Ching, em madeira). “Esses artistas afrontaram um processo de desconstrução contínua com a arte”, sintetiza o curador-chefe da Bienal Ayrson Heráclito.
Tabuleiro de Glauber
O projeto começou a ser desenvolvido a partir da inserção do filme
O Pátio (1959), a primeira produção cinematográfica de Glauber Rocha, que utiliza um imenso tabuleiro de xadrez como locação. Como explica Heráclito, “a gente reconhece o caráter inaugural e radicalmente vanguardista deste filme, que foi deixado de escanteio pelo próprio autor, e que, ao desenvolver sua carreira, considerava seu primeiro experimento como um devaneio pequeno burguês em comparação com seu engajamento social e político”.
“Para nós este filme integra uma série que nos é bastante interessante”, raciocina o curador, “já que permite uma revisão de nossas matrizes de vanguarda, principalmente das décadas 60, 70, 80.
O Pátio inaugurou, a partir da Bahia e do Nordeste, a possibilidade de pensar uma arte mais expandida, para além das características tradicionais, por conta do caráter coreográfico, performático do filme”, conclui Heráclito. A produção será exibida continuamente para os visitantes conferirem sua narrativa pouco clara, embutida como um enigma filosófico.
O jogo de xadrez é o ponto de confluência das diferentes obras, em que a extrema racionalidade matemática é desafiada pelas infinitas opções em termos de deslocamento, como detalha o curador, destacando questões relacionadas à obra de autores presentes nesta exposição, como a ditadura militar e conflitos religiosos.
O dadaísta francês Marcel Duchamp (1987-1968) considerava uma partida de xadrez uma coisa visual e plástica e, “se não é geométrica no sentido estático da palavra, é um mecanismo pelo qual as peças se movimentam. As peças não são mais belas do que a forma do jogo, mas o que é belo – se é que a palavra “belo” pode ser empregada – é o movimento”.