21/08/2014
Com mediação de Ana Pato, curadora-chefe da 3ª Bienal da Bahia, o tema trata da função da fotografia como construtora de memória. No debate, será discutida a necessidade de uma política pública que cuide destes acervos. Anízio Carvalho, Valter Lessa e Aristides Alves são os fotógrafos convidados e testemunhos vivos da história de Salvador.
O Em Foco é um projeto organizado pelo Núcleo de Arte e Educação do MAM-BA e pelo Laboratório de Fotografia da Faculdade de Comunicação da UFBA (Labfoto), e conta com a colaboração dos fotógrafos Rodrigo Wanderley e Rafael Martins. Nas edições anteriores, foram abordados temas como os Processos Criativos e Técnicas da Fotografia, o Fotojornalismo, a Imagem Documental, Fotografia e Arte Contemporânea e Fotografia em Movimento.
Conheça os convidados:
Anízio Carvalho nasceu em Conceição da Feira, em 26 de fevereiro de 1930. Veio para Salvador ainda criança, na década de 40, para trabalhar na casa da família Rosenberg, composta de empresários na área de fotografia e filmagem – Leão e Isaac. Eram deles os melhores estúdios, os melhores laboratórios e os melhores equipamentos de fotografia, revelação e filmagem da Bahia. E foi aí que Anísio Carvalho, então laboratorista, aprendeu a fotografar. Em 1952, Leão Rosenberg demitiu alguns dos seus funcionários e, por questões financeiras, em alguns casos as indenizações foram feitas com equipamentos fotográficos. Foi o caso de Anízio Carvalho, que recebeu uma câmera Rolleiflex em lugar de dinheiro. Em 1957, foi contratado pelo dono do Jornal da Bahia, João Falcão, para integrar a equipe do periódico, assumindo a chefia do departamento fotográfico. Com isso, lembra Anízio, o JB passou a ser o primeiro jornal em Salvador a ter uma Rolleiflex. O fotógrafo é também aposentado do governo estadual.
Valter Lessa, um dos pioneiros do fotojornalismo na Bahia, tem um acervo de 123 mil fotografias catalogadas, que contam os últimos 60 anos da história do nosso estado.
Aristides Alves é baiano por opção. Nascido em Belo Horizonte, em 1949, ele se radicou em Salvador em 1972. Na capital baiana, cursou biologia (1977) e jornalismo (1983), ambos na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Aristides foi um dos fundadores do grupo FotoBahia e sócio-fundador da ASA, primeira agência baiana de fotografia. Também atuou como coordenador do Núcleo de Fotografia da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB). Com mais de 30 anos de carreira, já publicou seus trabalhos em revistas como Veja, ISTOÉ, Elle e Bravo. Lançou diversos livros de fotografia, dentre eles Fotografia(1988), Orixás (1994), Fotografia na Bahia, 1839-2006 (2006) e Garimpo de Imagens (2008). As manifestações culturais, a natureza, o teatro, a dança, os shows e a arquitetura são temáticas frequentes nas imagens de Aristides Alves. O fotógrafo participou de diversas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Hoje, dedica-se a projetos editoriais com temáticas religiosas e documentação de natureza antropológica, que valoriza as tradições culturais da Bahia.
