Conselheiros de cultura participam de debates na Festa Literária de Cachoeira

24/10/2014

Três membros do Conselho Estadual de Cultura estarão presentes na Festa Literária de Cachoeira (Flica), que acontece entre os dias 29 de outubro e 02 de novembro, em Cachoeira, no Recôncavo. Os conselheiros Jaime Sodré e Aurélio Schommer, que é curador do evento, serão mediadores de mesas com convidados que falarão sobre temas como a produção editorial na Bahia e a trajetória de Mãe Stella de Oxóssi. Já o conselheiro Nelson Maca participará de um bate-papo sobre literatura negra e cultura nas periferias. Este ano o evento homenageará a escritora e enfermeira Maria Stella de Azevedo Santos, conhecida como Mãe Stella de Oxóssi. Escritora e defensora da cultura iorubá na Bahia, Mãe Stella será alvo de congratulações na mesa batizada de “Os rastros de antigos laços”, mediada pelo historiador, escritor e conselheiro de cultura, Jaime Sodré. Satisfeito com o convite, Sodré afirma que a homenagem à Mãe Stella é mais um registro da sua importância como líder religiosa com ampla capacidade intelectual para revelar um repertório de fatos e histórias do mundo afro-brasileiro. “A produção literária de Mãe Stella funciona como uma medida de ampliação da temática literária, possibilitando aos leitores uma incursão no ambiente cultural da tradição afro-brasileira”, comenta Sodré. O curador do evento e conselheiro de cultura, Aurélio Schommer, mediará duas mesas na Flica. A primeira, intitulada “O país do compadrio”, receberá a jornalista Consuelo Dieguez, repórter especial da Revista Piauí, e o professor da Universidade Federal da Bahia Wilson Gomes. O encontro acontece dia 30 de outubro, às 10 horas, e discutirá o compadrio – também conhecido como camaradagem, característica da sociedade brasileira que está aprofundada em todos os estratos sociais. Schommer assegura que este é um tema desafiador, mas os autores são especialistas no assunto e tornarão a mesa interessante e fácil de ser conduzida. A outra mediação assumida pelo conselheiro será na mesa “Linhas editoriais”, que contará com a participação da editora da Solisluna, Valéria Pergentino, e do jornalista e editor-executivo da Record, Carlos Andreazza. Neste debate, que também acontece no dia 30 de outubro, às 19h, haverá espaço para a conversa sobre novos autores que estão surgindo, produção editorial e desafios às editoras impostos pela emergência do livro digital e pela concentração econômica das livrarias. Outros assuntos esperados giram em torno das diferentes linhas artísticas e ideológicas seguidas pelas diferentes editoras. O conselheiro de cultura, poeta e professor de literatura, Nelson Maca, foi convidado para ler as perguntas referentes ao bate-papo sobre literatura negra e cultura nas periferias que ocorrerá no dia 2 de novembro, às 10h. Batizado de “Demarcando espaços e territórios”, o encontro contará com a presença do escritor carioca Paulo Lins e do compositor, poeta e cantor baiano Juraci Tavares. JOÃO UBALDO – A Flica 2014 contará com uma celebração a João Ubaldo Ribeiro. O autor baiano chegou a confirmar a participação no evento como debatedor antes de falecer, em julho deste ano. Em sua memória será realizada a mesa “Viva João Ubaldo Ribeiro”, com a presença de alguns de seus amigos, como Ana Maria Machado, Geraldo Carneiro e Fernando Vita. Para o conselheiro Aurélio Schommer, reinventar a Flica a cada edição é um desafio prazeroso. “Desde 2011, a programação tem sido bem recebida pelo público e patrocinadores. Cada sucesso gera em mim e em Emmanuel Mirdad, o cocurador, a pressão por montar uma programação na edição subsequente ainda melhor, o que é muito difícil”, afirma o curador. Schommer defende que as festas literárias não têm compromisso com os negócios vinculados ao livro. Elas existem para celebrar a literatura, para instigar, para provocar, para atuar como vanguarda na revelação de autores e na confrontação dos que já estão no cenário. Por isso são espaços de convivência do que a literatura tem de melhor, espaços concentrados de criação e compartilhamento pessoal, ao vivo, sem muros, sem proteções.