30/10/2014
A marca da discriminação enraizada nas diversas manifestações culturais, em especial nas ações desenvolvidas por mulheres, ainda é um entrave para o desenvolvimento humano, social, cultural. Posicionamentos como estes foram constatados e reforçados na tarde desta quarta-feira (29), durante as discussões realizadas na Mesa de Debate “Mulheres da Cultura”, integrando a programação do Seminário Nacional Mulher e Cultura, que acontece até a próxima sexta-feira (31), no Complexo Cultural dos Barris, em Salvador.
A troca de experiências com mulheres que, apesar dos desafios enfrentados, alcançaram visibilidade nacional e internacional por suas produções, começou com o depoimento da indígena do povo Omágua/Kambeba, compositora e escritora, Márcia Kambeba, que discorreu sobre sua pesquisa e luta em defesa da cultura, identidade e arte do seu povo. “A cultura é cíclica, latente e evolui e nós mulheres temos que acompanhar, pois não somos objetos de antiquários, somos a força que sustenta e continua levando o conhecimento para nossas gerações”.
Sônia Terra, militante do Movimento Negro do Piauí, falou de sua história de vida enquanto negra, filha de doméstica, e da sua atuação frentre à Fundação Cultural do Piauí, onde buscou demarcar o trabalho e a cultura da mulher negra. “Precisamos continuar demarcando nossos espaços, a cultura precisa chegar a mulheres que vivem nos mais longíquos espaços, pois só assim conseguiremos empoderar as que ainda vivem na base da pirâmide, sem espaços privilegiados”, disse ao afirmar que em qualquer lugar que esteja, lembra da essência de ser mulher e negra.
As discussões seguiram com Salete Maria, cordelista feminista cearense, professora do Bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade, fazendo uma crítica às políticas culturais que, em sua maioria, não contemplam mulheres cordelistas. “Percebemos o descaso com a cultura cordelista, inclusive os editais não contemplam essas mulheres produtoras de cultura, realidade que precisa ser modificada no pais”. A mesa foi finalizada por Ana Maria Gonçalves, que fez um recorte histórico sobre o sentido da palavra “cultura” e sua evolução ao longo da História. "Precisamos refletir na acepção da palavra "cultural", que tem sido utilizada, muitas vezes, para justificar a violência, abuso e discriminação contra a mulher". A Mesa foi mediada pela dirigente do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), órgão da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, Arany Snatana.
O SNMC é uma realização da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura – Bahia, com parceria do Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), por meio do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM), da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM-BA), da Secretaria de Comunicação (SECOM-BA) e da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE).
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