10/12/2014
Gerônimo e Orquestra Afrosinfônica mostram repertório atual e vibrante que exalta a religiosidade afro-brasileira com arranjos orquestrais
[caption id="attachment_55626" align="aligncenter" width="432" caption="Foto: Rosilda Cruz"]
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As nuances da música de matriz africana, sua diversidade e riqueza rítmica, em combinação com a complexidade da música erudita, de linhagem europeia. Dois universos aparentemente distantes fundem-se no projeto Toada Ancestral – Gerônimo e Orquestra Afrosinfônica, que apresenta uma pesquisa singular no panorama contemporâneo: composições que exaltam a ancestralidade religiosa africana e enriquecidas com arranjos que dialogam com a tradição das culturas eruditas. O resultado é um repertório atual e vibrante, que será apresentado em espaços públicos de Salvador e São Paulo.
A estreia acontece em 16/12/14, às 20h, na Escadaria da Igreja do Passo, no Centro Histórico de Salvador. No dia 24 de janeiro de 2015, a apresentação ocorre no Parque da Aclimação em São Paulo, às 15h. Fechando o circuito, o Toada Ancestral vai até o interior da Bahia, em uma cidade a ser definida em breve. O projeto é patrocinado pela Natura, resultado do edital Natura Musical e através do programa estadual de incentivo Fazcultura. A realização é da Fábrica da Palavra e a produção, da Sole Produções, com apoio da Salamandra Produções.
O Toada Ancestral é desenvolvido por Gerônimo - um dos maiores artistas do cenário baiano e espécie de guardião da música brasileira de raiz feita na atualidade -, em parceria com a Orquestra Afrosinfônica, do maestro Ubiratan Marques. Gerônimo vem amadurecendo e lapidando a ideia da mistura entre o erudito e popular num formato sinfônico desde os meados dos anos de 1990, quando Ubiratan era então tecladista da sua banda Mont Serrat. Mesmo após a ida do instrumentista para o estado de São Paulo, onde realizou estudos de composição e regência, ambos os artistas continuaram suas pesquisas e criações dentro das matrizes rítmicas e harmônicas da música africana.
"Com este projeto, vamos dar harmonia às músicas que vieram da África para o Brasil, com todo o respeito e sem entrar nos fundamentos da religião. São músicas que estão na nossa formação miscigenada, no nosso inconsciente coletivo. Vamos explorar suas raízes e influências”, propõe Gerônimo, que se considera um semierudito. Ele estudou composição e regência na Universidade Federal da Bahia, mas nunca abriu mão da música popular, tornando-se um compositor reconhecido nacionalmente, com músicas gravadas por Maria Bethânia, Carlinhos Brown, Elba Ramalho e Daniela Mercury, entre outros e autor de sucessos como É D''Oxum e Eu Sou Negão.
Agora, com o Toada Ancestral, ele tem a oportunidade de combinar, mais uma vez, dois universos que fazem parte de uma trajetória artística marcada pela polirritmia, em pesquisas que misturam influências africanas e caribenhas. Ele ressalta que a proposta do projeto é também levar ao público um pouco mais de conhecimento e informação sobre esta parte da nossa história e formação cultural e social. “O objetivo é o fortalecimento do lastro cultural do público e a apreciação e aproximação com universos musicais vistos, em geral, com preconceito”, diz.
[caption id="attachment_55630" align="aligncenter" width="448" caption="Foto: Andre Lima"]
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