16/01/2015
Nesta sexta-feira (16/01/2015), o Arquivo Público do Estado da Bahia, localizado na Baixa de Quintas, em Salvador, completou 125 anos, consolidando-se enquanto segunda mais importante instituição arquivística pública do país. Em seu extenso e rico patrimônio estão custodiados documentos produzidos e acumulados no período colonial, monárquico e republicano brasileiro, que são diariamente buscados por pesquisadores de todo Brasil e de outros países. Um acervo organizado e estruturado desde 1890, quando o então governador do Estado da Bahia, Manoel Victorino Pereira, por meio de Ato, criou o Arquivo Público. Recentemente, após extensa reforma, o Arquivo teve seu telhado, forro e assoalho reestruturados, esta que foi a primeira intervenção feita no prédio desde 1980 quando se instalou no atual endereço.
O Solar da Quinta do Tanque ganhou novo telhado em toda extensão do seu pavimento superior, onde funcionam a Biblioteca, a Sala de Consulta e o Auditório, o que garantirá melhor preservação dos documentos e estrutura para realização de ações de formação, como seminários, palestras. Antes da reforma, goteiras, falhas no assoalho e no sistema elétrico prejudicavam o acesso de pesquisadores, o que foi solucionado com a um processo de requalificação que garantirá uma melhor utilização de equipamentos de microfilmagem e impressão, por exemplo. Foram investidos 2,6 milhões nesta etapa. As próximas contemplarão a rede hidráulica, pintura, reforma de janelas, banheiros e paredes, dentre outras ações, cujos projetos, já aprovados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), após ajustes, passarão por licitação para sua execução.
Recém liberado para normalizar o atendimento ao público, após meses em reforma, Daniele Souza, estudante de doutorado e professora do Instituto Federal da Bahia (Ifba), não perdeu tempo e já retomou a pesquisa. “Como pesquiso Salvador do século 18 e as nuances do trafico de escravos, o processo de conquista de liberdade e as estratégias de sobrevivência e de luta contra a escravidão, acredito conseguir aqui 77% das informações para a elaboração da minha dissertação de mestrado e doutorado”, afirmou.
O pesquisador Urano Andrade acredita que o Arquivo Público tem um papel central, não apenas para a comunidade acadêmica, mas para toda a sociedade. “Ele é de fundamental importância, tanto para a História da Bahia como do Brasil, pois tem o maior acervo colonial e documentos de diversas ordens. A instituição é local de referência para qualquer pesquisador”, enfatizou Andrade. O Arquivo recebe, mensalmente, cerca de 500 pesquisadores, que utilizam de serviços como os da Sala de Consulta de Manuscritos e Impressos e a sala de Consulta de Microfilmes, que foram reformadas. Para o advogado Luiz Walter Coelho Filho, que frequenta a instituição há 15 anos, o Arquivo é um espaço indispensável para o trabalho do pesquisador. “Aqui se tem uma base de dados muito importante e uma organização, com pessoas comprometidas que atendem muito bem o público. Fico feliz com a reforma do telhado e das instalações, e parabenizo as pessoas que fizeram essa instituição no passado e também as que trabalham no presente”, elogiou.
[caption id="attachment_56823" align="aligncenter" width="448" caption="Foto: ASCOM FPC"]
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