PERFIL: Alexandra Amorim - Deusa do Ébano 2015

27/01/2015
[caption id="attachment_57194" align="aligncenter" width="480" caption="Fotos: Andre? Frutuo?so"]Foto: Andre? Frutuo?so[/caption]

Baiana, professora de Educação Física e apaixonada por dança. Ela tem orgulho de dizer que é nativa de Itapuã, nascida e criada nas águas da Lagoa do Abaeté, lugar que mais admira em Salvador. Aos 33 anos, Alexandra Amorim, casada com Ângelo Amorim e mãe da pequena Alexia, é a nova Deusa do Ébano do Ilê Aiyê. Adepta ao Candomblé desde criança, quando frequentava os terreiros acompanhada de sua avó, Alexandra é filha de Iansã e tem uma relação especial com os blocos afros da Bahia. Ainda pequena, via seus familiares participarem de desfiles, como os do Ilê, durante o Carnaval e, aos 11 anos, ouviu seu pai dizer que queria vê-la em cima do trio, como rainha do Mais Belo dos Belos. Ainda na infância, começou a praticar aulas de Capoeira, o que lhe rendeu o encontro com o Samba de Roda, o Maculelê, a Puxada de Rede e a Dança Afro. A paixão pela dança influenciou também na escolha da sua graduação. Aos 17 anos, a ex-aluna do Escola Técnica Estadual Newton Sucupira passou em 1º lugar no vestibular para Educação Física da Universidade Católica de Salvador. Mas o talento artístico de Alexandra foi reconhecido pela primeira vez em 2008, quando recebeu o título de rainha do bloco afro Malê Debalê. Ela ficou tão envolvida com a instituição, que realizou o seu casamento por lá, em 2010, em uma cerimônia afro presidida por uma Ialorixá. Desde aquela época, Alexandra já participava do concurso para o Deusa do Ébano, título que disputou por quatro vezes.

Consciente da responsabilidade que teria, caso fosse eleita Rainha do Ilê Aiyê, a persistente negra de sotaque arrastado investiu não só em sua preparação física - com a realização diária de treinamento físico e de aulas de dança -, como intensificou os estudos. As noites da carismática agora Deusa do Ébano não tinham mais espaço para o tão antes frequentado cinema, pois qualquer hora era hora para estudar o tema do Ilê para o Carnaval e para se dedicar à sua pesquisa em torno da proposta pedagógica da cultura afrodescendente dentro das escolas de educação infantil, tema que desenvolve atualmente em seu curso de Mestrado em Dança, na Universidade Federal da Bahia. Além do amor, da dedicação e do fascínio pelo Ilê Aiyê, Alexandra é consciente do papel que vai desempenhar daqui pra frente. Com o novo título, ela quer dar continuidade ao seu projeto de pesquisa de Mestrado e mostrar a importância da valorização mulher negra no Brasil que, a cada dia, acorda com o desafio de lutar em busca de reconhecimento pela sociedade em que vive.