09/02/2015
Há várias maneiras de se cantar e fazer música brasileira e nas últimas décadas o reggae, originalmente jamaicano, tornou-se uma delas. A identificação com o ritmo e a possibilidade de expressar suas mazelas fez com que a juventude local adotasse e incorporasse definitivamente o reggae ao nosso caldeirão musical. Cachoeira, a Jamaica brasileira. Berço da nata do reggae brasileiro, que bebe da fonte do grande ícone Bob Marley, sem deixar de cantar suas raízes. Tudo começou lá atrás, na década de 80, com o surgimento do grupo Remanescentes, fundado por
figuras importantes do nosso reggae nacional, como Nengo Vieira e Sine Calmon.
O show “Cachoeira, Reggae, Recôncavo” reúne algumas dessas vozes e algumas que vieram após elas e mantém viva a tradição do reggae no
Recôncavo no Palco Principal do Pelourinho, no domingo, dia 15 de fevereiro, às 19:30h. É o caso de Jeremias Gomes. Filho do ícone do reggae Edson Gomes, ele é backing vocal do pai e toca sua carreira independente desde 2007. Suas músicas, registradas no CD Régua e
Compasso, demonstram a influência que recebeu do pai, que fará participação especial no show. “Mesmo com todo o preconceito, desrespeito e indiferença do sistema, o Reggae – música espiritual e de conscientização precisa continuar firme e forte no Carnaval de Salvador”, diz Jeremias. Seu show conta também com a participação do tio, Tintim Gomes, na música Pelo amor de Deus.
A banda Jamaicachoeira faz esse trocadilho propício: a banda tem ganhado destaque em suas participações nos shows de Sine Calmon que
acontecem às sextas-feiras no Pelourinho. Formada em 2010, a banda resulta da união de músicos, que por meio da influência do reggae
jamaicano manifestam mensagens de paz, amor e tolerância, através das canções compostas por seus integrantes e, como diferencial, covers do Bob Marley.
Com quatro anos de existência, a Jamaicachoeira desponta no cenário musical da Bahia – com mais ênfase no Recôncavo – após lançamento das músicas “Astuto” e “Saudades da Remanescente”, que ganharam espaço nas rádios da região e estão entre as mais tocadas. “Durante o Carnaval não dá para ficarmos presos ao roots, mais raiz e mais lento. Carnaval é pra frente, por isso a banda traz um pouco de dance hall, que é um estilo mais contemporâneo e o raggamuffin, que faz uma conexão com o hip hop, bem ao gosto da galera que curte o reggae no Carnaval” – diz Tiago Manga, guitarrista da banda.
Mas é dos Remanescentes que chega a principal voz do projeto: o reggaeman Sine Calmon. Com músicas autorais que explodiram no Brasil, como Nyambing Blues (O Trem do Amor), que ganhou o troféu DÔDÔ & OSMAR como a música mais executada do Carnaval de 98, Sine Calmon tornou-se um dos ícones de destaque do reggae nacional. Ele, que já foi indicado ao Troféu Caymmi como instrumentista revelação de cordas e ganhou o Troféu do Circuito Reggae ano 2002 e 2007 de melhor artista solo, sabe comandar o público como ninguém. Seu carisma, performance de palco e a ousadia com que se comporta faz de Sine Calmon um artista único em sua época. No repertório clássicos como Guerreiro Mor, Maluco que sabia, O Eu sou, Blues do Mississipi e muitos outros sucessos.
O Carnaval de Salvador não é apenas a maior festa de rua do planeta, mas também a mais eclética. A presença do reggae na programação assegura esta diversidade, agradando a uma multidão de apaixonados pelo ritmo.
