18/02/2015
Foto: Sidney Rocharte
Foi com samba que o Largo do Pelourinho se despediu nesta terça-feira (17.02) do Carnaval da Cultura 2015. O Centro Histórico abriu espaço para toda a beleza, diversidade e poesia que norteia o universo cultural e popular baiano com a apresentação do projeto Raízes da Bahia, cantado por Juliana Ribeiro, Roberto Mendes e pela Camerata Popular da Bahia. O samba também foi tema dos shows É Na Palma da Mão, É na Ponta do Pé, que reuniu Clécia Queiroz, Raimundo Sodré e o coral Gêge Nagô, e do Yes! Nós Temos Samba!, com Fabiana Cozza, Sandra Simões e Tito Bahiense. A apresentação contou ainda com homenagens à santamarense Edith do Prato; aos Filhos de Gandhy - resgatando a memória de Erondino Joaquim Ribeiro, avô de Juliana e um dos estivadores da criação do bloco, e a Paulinho Camafeu, um dos mais importantes compositores da Bahia. “É uma alegria imensa trazer o projeto para o Largo do Pelourinho por ser um lugar especial dentro do Carnaval de Salvador e, sobretudo, por nos permitir mostrar a diversidade, a riqueza e as cores espalhadas por todo o estado”, declarou Juliana Ribeiro. Já o cantor, compositor e instrumentista Roberto Mendes, definiu o Pelourinho como o ponto de encontro da diversidade baiana. “Aqui é a encruzilhada da diversidade cultural do nosso Estado. Hoje eu trago um pouco de Santo Amaro para este espaço”, disse Mendes. Em seguida foi a vez de Raimundo Sodré, Clécia Queiroz e Gêge Nagô subirem ao palco trazendo o samba de roda do recôncavo, da chula e as músicas de terreiro. “A chula está tendo espaço no carnaval, mas merecia muito mais”, afirma Sodré, que apresentou no show uma vertente de samba em homenagem a D.Edith do Prato.”Tem várias músicas que eu gostaria de ter mostrado do meu novo trabalho que será patrocinado pela Secult-ba, mas sabia que não daria tempo, então não podia deixar de fora alguns sucessos que o público gosta como A massa, Coisa de Nego, Avenida Emoção, explica o compositor. “Tocar no Pelourinho é sempre uma alegria imensa. Aqui é um lugar super democrático onde têm crianças, idosos, pessoas de todos os estilos. É um espaço que atrai gente que faz festa verdadeira”, declara Clécia, que trouxe para o show sambas de roda do recôncavo, dentro do projeto Samba de Roque, uma homenagem a Roque Ferreira - um dos poucos compositores da Bahia que vive exclusivamente de direitos autorais. O grupo da cidade de Cachoeira, Gege Nagô, que tem Os Tincoãs como referência, fez uma participação com Sodré, tocando músicas de terreiro de candomblé, além da música Mãe Oxum do compositor da canção A Massa. E pra fechar com chave de ouro, o projeto Yes, Nós Temos Samba! idealizado por Sandra Simões, trouxe o cantor Tito Bahiense e a diva “afro-italobrasileira” Fabiana Cozza com um repertório que privilegiou grandes compositores baianos como Dorival Caymmi, Roque Ferreira, Roberto Mendes, Edil Pacheco, Gerônimo e outros. “Tenho uma coisa comigo que é o respeito pelo lugar, pelas pessoas e a história do ambiente. Jamais poderia pisar num lugar sagrado como o Pelourinho sem cantar esses grandes compositores baianos que venho defendendo alguns anos” declara Cozza. Fabiana falou da importância dessa retomada do carnaval para o povo. ”Esse carnaval no Pelourinho é uma esperança para o Brasil. Queria parabenizar Arany Santana (diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias) pelo que ela representa na cultura da Bahia e quero desejar a Jorge Portugal (secretário de cultura) uma ótima gestão e que oxalá o ajude. Jorge antes de ser secretário é um artista, e nós artistas nos vemos nele”, confessa a cantora. Sandra Simões explicou o quanto foi especial trazer Cozza e Tito Bahiense para o projeto. “Tenho uma história de parceria com Tito. Ele é um grande compositor, cantor e músico. Nós temos um trabalho com o samba que começamos em 2008 e Cozza já é uma amiga querida, uma das grandes vozes do Brasil. Poder juntar essas 3 figuras, me incluindo também, foi uma festa da música, onde o samba foi a estrela homenageada e esse foi um sonho que consegui realizar”, emociona-se Simões. CARNAVAL DA CULTURA O Carnaval da Cultura 2015 é o carnaval da democracia e da diversidade, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Ouro Negro, Carnaval Pipoca e Outros Carnavais.
