05/03/2015
Mãe Stella celebrará o Dia Nacional da Poesia com o encontro Três Toques: Poesia, amor, alegria, através do Projeto Encontro Colorido da Encantada Espiritualidade Baiana que tem como carro chefe a biblioteca itinerante denominada Animoteca.
O veículo é utilizado para promover diferentes tipos de encontros. Com Três Toques: Poesia, amor, alegria se pretende celebrar a união, através da força do amor, entre as poesias de Castro Alves com a alegria de Mãe Stella. Afinal, o grande poeta que clamou por liberdade e “morreu por amor” (como gostava de dizer uma de suas primas) é o patrono da cadeira 33 da Academia de Letras da Bahia, ocupada atualmente pela yalorixá Mãe Stella de Oxossi. Castro Alves teve seu nascimento na Terra no dia 14 de março, data escolhida para se comemorar o gênero literário ao qual se dedicou e utilizou, no sentido de contribuir para que uma descendente de escravos pudesse hoje ser membro de uma Academia de Letras.
O Projeto Encontro Colorido da Encantada Espiritualidade Baiana é de iniciativa de uma sacerdotisa do candomblé que, apesar de objetivar em todos seus atos e enaltecer a beleza das diferentes tradições espirituais, tem sua vida pautada na tradição religiosa herdada dos africanos, que encontra no toque ritmado dos atabaques sua forma poética de se comunicar com as divindades, a fim de estimular o que pode existir de mais sagrado no homem: a sensibilidade que desperta os nobres sentimentos. Por ser a poesia uma “forma de arte que inspira e encanta, que é sublime e bela”, e pelo fato de o candomblé ser uma religião que trabalha no sentido de preservar tradições, Mãe Stella conseguiu editar o livro Nazaré – das farinhas e poesias, que será relançado neste evento.
O evento se divide em três etapas, denominadas três toques:
- O Toque 1 é comandado pela Camerata Castro Alves. Poesia é ritmo, é toque, é música. E é por isso que nos sensibilizaremos com a apresentação deste grupo cultural e artístico criado em 1997 por Marcos Santana e especializado na interpretação do manancial poético deixado pelo Poeta da Liberdade às sucessivas gerações. A Camerata Castro Alves é formada por músicos instrumentistas (piano, sax e flauta) e músicos cantores (contralto, meio soprano e barítono) e tem como carro chefe o espetáculo Sarau como Antigamente.
- O Toque 2 está repleto de Amor. O Amor que a tudo une é, neste encontro, o elo que une a poesia de Castro Alves com a alegria de Mãe Stella. Os poemas de amor serão retirados do livro Nazaré – das farinhas e poesias: uma coletânea de trabalhos de poetas que nasceram entre 1831 e 1963. Aparentemente, uma simples tarefa escolar, mas que por ter sido realizada com tanta profundidade, já nasceu premiada pelo Centro Cívico Poeta José Bomfim, da Escola Pública de 2º Grau Doutor José Marcelino de Souza. Nascida em uma família de escritores, tanto por parte de mãe quanto por parte de pai, a missão que coube a Carla Domini Peixoto foi a de não deixar perdidos os tesouros brotados do solo culturalmente fértil de sua terra natal - Nazaré. Para resgatar do fundo do baú importantes tesouros poéticos, Carla Domini Peixoto contou com a ajuda de sua mãe Nilce Domini Peixoto, demonstrando a importância da participação dos pais na vida escolar dos filhos. Entregar ao público o livro Nazaré – das farinhas e poesias é, pois, contribuir para a valorização da escola pública e da participação dos pais na vida escolar dos filhos, campanha hoje também encabeçada pela Rede Globo de Televisão.
- O Toque 3 é a etapa ingênua e impudica. Mãe Stella é Odé kayodê, a já conhecida caçadora de alegria. Diversão responsável poderia também ser o seu nome. Quem convive com ela sente o encontro da alegria com a responsabilidade em seus pequenos e grandes atos. E é por isso que a cultura brejeira pedirá licença à seriedade do ambiente religioso para encerrar a apresentação com poemas do livro Prosa Morena, onde Jessier Quirino reescreve uma fala sertaneja que diz: “O mundo é uma bodega pequena e sortida. Mais dias menos dias a gente se encontra.” Afinal, onde tem alegria tem prazer; onde tem prazer tem boa comida. E comida de tabuleiro sem uma boa prosa com a baiana perde todo seu sabor. E é assim que brindaremos o público, não apenas com poemas e música que alimentam a alma, mas também com uma boa prosa com as quituteiras do Ilê Axé Opô Afonjá.
