07/04/2015
Uma ideia lúdica, que une cinema e educação, está lançando uma semente que promete mudar a relação da população do arquipélago de Cairu com conteúdos audiovisuais. Trata-se do projeto "Cinema e Sal", uma iniciativa das jovens cineastas baianas Cecília Amado, Jamille Fortunato e Lara Belov, que tem como objetivo estimular a democratização da linguagem audiovisual em regiões de baixa acessibilidade.
Voltado principalmente para as comunidades de pescadores de Garapuá, Monte Alegre e Cairu, Cinema e Sal tem três frentes de trabalho. Inicialmente, oficinas de audiovisual realizadas em cada uma das localidades capacitarão crianças de 10 a 14 anos para a produção de curtas metragens, a partir de temas e vivências locais. Os conteúdos produzidos e outros filmes que abordam a relação do homem com o mar serão exibidos e debatidos em mostras ao ar livre abertas à população. Ao fim do projeto, será criado um portal web para abrigar e socializar o material produzido pelas crianças e também outros conteúdos sugeridos por usuários.
Para a diretora Lara Belov, a articulação entre essas três vertentes de trabalho contribuirá para a formação de uma atitude crítica no consumo e na produção de conteúdos audiovisuais. "É normal que a população esteja passiva diante dos conteúdos audiovisuais? Não poderiam também ser criadores desses conteúdos? E se, desde cedo, se ensina uma criança a falar e a escrever, por que não ensiná-la a ‘falar’ audiovisualmente?”, questiona a cineasta.
O projeto tem patrocínio do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Iniciado dia em 9 de março, na cidade de Cairu, será concluído em 18 de abril, com a exibição da última mostra audiovisual em Monte Alegre. Ao término do projeto, 30 crianças terão sido capacitadas para narrar e perpetuar, em linguagem audiovisual, as histórias da ilha que habitam a partir do olhar local e com o suporte de tecnologias acessíveis como celulares e câmeras fotográficas.

