Memória da dança na Bahia começará com acervo de Lia Robatto

30/04/2015

Como resultado do Edital de Restauração e Digitalização de Acervos Arquivísticos Privados (14/2013), lançado pela Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, amantes e profissionais da Dança na Bahia serão presenteados com a disponibilização do conjunto arquivístico – Memória e Dança na Bahia: acervo Lia Robatto – que está sendo catalogado e digitalizado por equipe coordenada pela idealizadora e curadora, Suki Villas-Bôas Guimarães. O projeto contempla o acervo da coreógrafa, professora e pesquisadora paulista, Lia Robatto, sobre a história da dança na Bahia e no Brasil. O acervo tem previsão de ser disponibilizado a partir de julho. Cidadã soteropolitana, a coreógrafa Lia Robatto, que também é autora de livros sobre dança e produtora cultural, veio para a Bahia com 17 anos, quando da fundação da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia, primeira do gênero de nível universitário no Brasil. Criou a Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia, atuou como integrante do Conselho Estadual de Cultura da Bahia e hoje é uma das grandes personalidades no gênero em todo o país. Compõem o acervo, programas, reportagens, críticas e registros fotográficos de quase todos espetáculos encenados e produzidos por Lia Robatto em sua trajetória, além de cadernos de anotações coreográficas. Para Lia, o acervo servirá de semente para projetos maiores. “A perspectiva é criar um Museu Nacional da Dança, pois a Bahia foi pioneira na sua profissionalização. Por ser uma matéria efêmera, é muito importante que sejam feitos registros”, frisou a coreógrafa que também ressaltou as perspectivas futuras que ampliarão o projeto. “A ideia é de que seja um acervo dinâmico, dar acesso ao mesmo via internet e, eventualmente, fazer experiências como oficinas”, explica. O projeto, que prevê um site para acesso do público, tem previsão para ser disponibilizado no mês de julho. Em reunião na Fundação Pedro Calmon, junto à Diretoria de Bibliotecas Públicas, firmou-se a intenção de disponibilizar este acervo também na Biblioteca Virtual 2 de Julho (BV), unidade da Fundação que trata da memória e história da Bahia. “Para nós será uma honra contar com este acervo em nossa Biblioteca, que tem um público específico interessado na memória do nosso estado”, frisou André Santana, diretor da BV. Os meios para esta disponibilização serão discutidos com a curadoria do projeto. De acordo com Suki Villas-Bôas, o acervo físico também será disponibilizado para pesquisadores em espaços culturais a definir e que todo o conjunto de Lia Robatto é o passo inicial para a Plataforma da Memória da Dança na Bahia, projeto coordenado por ela com o objetivo de integrar outros acervos importantes para contar a história da dança na Bahia. “Este é um projeto experimental que estamos fazendo com a artista viva, o que é muito importante enquanto acervo, pois damos a oportunidade dele ser aprofundado e mais amplamente estudado. Ele chama a atenção para a necessidade de trabalharmos e preservarmos essa memória, pois pode servir para processos de criação atuais, estudos, pesquisas”, afirmou. Na Bahia, segundo Suki, não há um repositório onde a dança esteja documentada como fonte primária de pesquisa. “Este é o primeiro de um outro projeto ainda maior, que abarcará não somente a dança cênica, como o de Lia Robatto, como outras danças, aos poucos chamando atenção para sua importância como expressão fundante da nossa cultura”, concluiu. “Estou muito orgulhosa de ter conquistado este edital, pois é um passo enorme para a dança, o início de um grande movimento de registro e difusão da sua memória em nosso estado e país”, exaltou Lia Robatto. Para a diretora do Arquivo Público do Estado da Bahia, Teresa Matos, que presidiu a comissão do Edital e faz seu acompanhamento técnico, a preservação destes acervos é importante para o ciclo de produção, distribuição e acesso à cultura e ao conhecimento. “Os diversos tipos de acervos contemplados registram a identidade e a diversidade cultural da Bahia e são fontes primárias de informação para um conjunto de produtos e serviços dos setores da economia da cultura e também da economia criativa”, ressaltou. Desde 2012, a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia integrou o segmento “Arquivos” aos Editais Setoriais do Fundo de Cultura da Bahia e, até 2014, foram destinados recursos da ordem de R$500 mil a projetos no segmento. Para este, foram destinados R$ 300 mil. PROJETOS - Outros proponentes contemplados no Edital foram da professora Alicia Duhá Lose, com o projeto Recolhimento dos Humildes – Organização e Recuperação do Acervo Documental, Edson Fernandes de Oliveira Santos Neto, com a proposta Restauração e Digitilização do Acervo do IAB-BA, Primeira Etapa, e Conservação e Acessibilidade da Memória Documental das Missões Capuchinhas da Bahia, proposto por Ulisses Pinto Bandeira Sobrinho. BIOGRAFIA - Lia Robatto estudou Balé Clássico pela Escola Municipal de Balé de São Paulo e pela Academia de Ballet Alina Biernarka. Entre 1952 e 1956 foi aluna da polonesa Yanka Rudzka na Sociedade Pró-Arte Moderna (SPAM) e Museu de Arte de São Paulo. Integrou o Conjunto de Dança Contemporânea da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e formou-se como dançarina pela mesma escola. Foi professora das escolas de Dança e de Teatro da UFBA e criou o Grupo Experimental de Dança (1970). Implantou ainda a Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado (Funceb) e Balé do Teatro Castro Alves. Foi curadora de Dança do Mercado Cultural entre 1999 e 2004. Escreveu o livro Dança em processo: a linguagem do indizível (EDUFBA, 1994). É Diretora Artística da área de dança do Projeto Axé desde 1998 onde criou a Gicá Cia. Jovem de Dança.