Encontro com o circo debate políticas públicas para o setor

06/05/2015

[caption id="attachment_61248" align="aligncenter" width="442" caption="Foto: Janine Moraes"][/caption]
Mario Júnior nasceu no picadeiro, entre artistas, lonas, trapézios e arquibancadas, mas atualmente, aos 37 anos, como motoqueiro do globo da morte, teme pela vida do circo. "O circo brasileiro não morreu, mas está na UTI. O potencial é muito bom, mas você tem que formar artistas. Hoje, o circo não consegue um artista para cada função. Cada pessoa exerce duas ou três funções. As crianças se desinteressaram pelo circo, querem o videogame. Falta estímulo para a formação de artistas", contou.

Júnior é um dos proprietários do circo Fantástico do Paraná e luta por um projeto nacional, uma lei do circo, que garanta direitos aos artistas e representantes do setor. E foi pensando nas inúmeras dificuldades pelas quais passa o circo brasileiro que o Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Fundação Nacional de Artes (Funarte), realizou, na tarde dessa terça-feira (5), em Brasília, o Encontro com o Circo. Transmitido ao vivo pelo site e redes sociais do ministério, o evento buscou ampliar o debate sobre as políticas públicas para as artes circenses.

Participaram do encontro, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, o presidente da Funarte, Francisco Bosco, o diretor do Centro de Artes Cênicas da instituição, Leonardo Lessa, e o coordenador de circo, Marcos Teixeira Campos, além de artistas, produtores e representantes do setor. O ministro Juca Ferreira destacou a importância do diálogo. "Eu encaro que não há possiblidade de se construir política cultural sem esse diálogo, dentro de gabinete".

Dentre os problemas destacados pela área circense estão a polêmica de maus tratos de animais, o pagamento de impostos, a falta de incentivos e créditos e a importação de equipamentos, entre outros. Segundo a presidente do circo Spacial, Marlene Querubin, ao todo, existe no país cerca de 2 mil circos, sendo 1,5 mil pequenos e micros, 500 médios e 35 grandes. Mas esses números estão longe de serem precisos, pois não existe um mapeamento oficial do setor.

Para a administradora do circo Kroner, Evelyn Klein, esse mapeamento é uma demanda que existe há mais de 20 anos. "A gente não tem um mapeamento. A gente não tem números legais. A gente não tem censo. O circo não é só o brilho do espetáculo à noite. Quando vai ter o censo geral do Brasil, a gente não existe. Nunca entrou um censo num circo para perguntar nada", lamentou. "Legalmente, a gente não existe, mas na hora de votar a gente existe, na hora de pagar impostos, a gente existe. Viemos pedir o censo porque o mundo que tem dentro do circo é grande e está passando despercebido", observou Evelyn, que é mágica da 5ª geração de uma família circense.

O ministro Juca Ferreira avaliou positivamente o debate. "A reunião foi boa. Tratamos de assuntos mais emergenciais em relação às questões estratégicas do circo em 2015. Não tratamos de nada absolutamente novo, mas de tudo que será renovado, porque são as questões sensibilizadas da área do circo que o ministério levará em consideração", destacou.

O presidente da Funarte, Francisco Bosco, classificou o encontro como excelente, ouviu as reivindicações e, inclusive, se comprometeu a compensar o setor por causa da não publicação do edital Carequinha de estímulo ao circo no ano passado. "No campo imediato, foi importante termos conversado sobre o edital Carequinha, que não foi realizado em 2014. Então, a Funarte se compromete com algum tipo de compensação para o circo, que foi prejudicado", afirmou. "Houve uma análise maior sobre diversos temas, alguns que podem ser encaminhados agora junto à assessoria parlamentar do ministério e outros que devem ser incorporados a essa agenda da Política Nacional das Artes, que é um conjunto de políticas públicas mais estruturantes que envolve o circo e as demais linguagens".

Este foi o terceiro encontro realizado pelo MinC e pela Funarte. O primeiro ocorreu com a classe musical, em São Paulo, e o segundo, com representantes do teatro, em Brasília. Em breve, outros segmentos serão convidados para o debate.

Texto: Karine Gonzaga/ Assessoria de Comunicação Ministério da Cultura