[caption id="attachment_61417" align="aligncenter" width="314" caption="Foto:Lucas Rosário"]
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O IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia), com o apoio institucional da CCPI (Centro de Culturas Populares e Identitárias); na figura da professora Arany Santana, está viabilizando, em conjunto com a Secult (Secretaria de Cultura do Estado da Bahia), o reconhecimento do restaurante que hoje funciona na Ladeira do Cine Pax, como espaço cultural.
"O objetivo é aplicar à Alaíde, um modelo piloto, para direcionar as novas ocupações do parque imobiliário sob a responsabilidade e propriedade do IPAC. O objetivo é incentivar junto ao Ministério da Cultura que estas atividades sejam promovidas a pontos de cultura, permitindo sustentabilidade e continuidade de atividades que promovam a ocupação permanente do nosso parque imobiliário", afirma o arquiteto João Carlos, diretor geral do IPAC.
Responsável pela confecção de uma das feijoadas mais tradicionais de Salvador, a quituteira Alaíde da Conceição, 66, popularmente conhecida com Alaíde do Feijão está prestes a mudar de casa.
Além do reconhecimento institucional, a medida visa disponibilizar um novo espaço para a instalação do restaurante conhecido nacional e internacionalmente pelo saboroso cardápio. A proposta das novas instalações tem como objetivo de proporcionar maior conforto à vasta clientela da quituteira e maior infraestrutura para a realização das manifestações culturais pelas quais o espaço se tornou famoso.
"Há muito tempo, tenho lutado por esse reconhecimento, pois esse restaurante é frequentado por personalidades e formadores de opinião, mas hoje já não tem a estrutura adequada, não temos tanta segurança", reivindicou Alaíde, enquanto mostrava na parede, fotografias tiradas com figuras como, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva; a cantora Margareth Menezes e o cantor Péricles.
"Não podemos deixar de da o reconhecimento ao Restaurante de Alaíde, que é sem dúvidas um dos espaços de maior relevância cultural para o Centro Histórico, não só pelos tradicionais quitutes quanto por todos os eventos que o espaço abriga", afirmou o Secretário de Cultura Jorge Portugal, que conheceu o restaurante em meados da década de 1990 e, desde então, se tornou um frequentador assíduo. "Sou de Santo Amaro, por tanto, um emérito comedor de maniçoba, mas não vivo sem o feijão, e o de Alaíde é sem dúvida um dos melhores que já experimentei", relatou.
Tradição - O ofício da produção de quitutes foi herdado a Alaíde, ainda durante a adolescência, através da sua mãe que possuía uma banca na região da Praça Cayru, no bairro do Comércio, desde a década de 1960. A banca funcionava das 18h às 6h, e durante a noite dezenas de soteropolitanos e turistas passavam pelo local para experimentar as iguarias, dentre as quais, o feijão se destacava. "Muitos estudantes, políticos e jornalistas passavam por lá, lembro bem do repórter policial, Alberto Miranda e do deputado Osório Villas Boas", relatou Alaíde.
Com a aposentadoria da mãe, Alaíde mudou-se para o Pelourinho e tomou para si a responsabilidade de manter viva a tradição dos quitutes e seguiu fazendo sucesso com a fórmula do tempero ensinada pela matriarca da família. Em 1993 o restaurante foi reformado e pode ampliar o cardápio, que passou a ter uma maior variedade de opções, a fama de Alaíde cresceu e chegou a diversas partes do país e até do exterior.
"A fama da comida e o meu histórico de participação na vida cultural aqui da cidade fizeram com que as pessoas frequentassem cada vez mais o restaurante", afirmou Alaíde, mostrando as placas de homenagens recebidas de tradicionais blocos Afros e instituições públicas como a Prefeitura de Salvador e a Fundação Cultural Palmares, além dos recortes de matérias de destaque em revistas e jornais.