Ministro Juca Ferreira fala de Livro, Leitura, Memória e Bibliotecas
18/05/2015
[caption id="attachment_61723" align="aligncenter" width="493" caption="Foto: Divulgação"]
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No segundo dia da Caravana da Cultura no recôncavo baiano, o ministro Juca Ferreira esteve no município de Santo Amaro, onde cumpriu extensa agenda de visitas e encontros com representantes culturais da cidade e região. Em entrevista concedida à Assessoria de Comunicação da Fundação Pedro Calmon, o ministro falou o que pensa e planeja para as áreas de Biblioteca, Livro e Leitura, Arquivo e Memória. Falou também de juventude e de parceria com a Educação. Confira:
FPC- Em entrevistas o Sr. falou que a política de Livro e Leitura precisa ser uma prioridade da gestão. De que forma essa prioridade deve acontecer?
Juca Ferreira: A questão da leitura e da relação com o livro é um flagelo no Brasil. O número de livro per capita é de 1,7 livros lidos por ano e são escandalosos os números de analfabetos funcionais. Um problema que precisa ser enfrentado, porque quem não lê ou é semianalfabeto não tem condições de inserção completa na sociedade e no mundo. Este dado não pode ser encarado como um dado natural, normal da sociedade. Evidente que a solução definitiva disso – a médio e longo prazo – é ter uma escola de qualidade e ao acesso de todos, porque ela é o primeiro e maior indutor de leitura, seguida da família e das bibliotecas.
FPC – A Bahia tem bibliotecas públicas muitos municípios, mas o cenário ainda está aquém dos altos índices de acesso, estímulo e estrutura. O que falta às nossas bibliotecas públicas e de que forma podemos trabalhar para sanar as dificuldades neste setor?
JF – Elas não funcionam a contento no Brasil. A maioria é passiva, fica esperando o leitor chegar para pegar o livro, isso não funciona. Elas precisam ser centros culturais ativos, produtores de desejo de conhecimento e de leitura. Queremos fazer um processo que ultrapasse em muito o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), que é razoável, mas ainda sinto falta dessa abordagem mais ampla, abrangente e efetiva para que possamos – dentro de um certo tempo – reduzir completamente esse índice de semianalfabetos no Brasil. Quando fui ministro nós zeramos o número de municípios sem Bibliotecas, mas já sabemos que existem mais de 300 com unidades fechadas pelas Prefeituras, que acham que investir em pessoal para Bibliotecas é excesso.
FPC – Como o MinC pensa o fortalecimento da memória e das instituições arquivísticas públicas no Brasil?
JF – Temos o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus) e todas as nossas frentes tem trabalhado com memória também, a exemplo do Cultura Viva. São muitas formas de trabalhar isso. Acho que todo programa tem que ter um pouco de patrimônio e memória, na área da música, teatro, cultura popular. Em todas podem ser encontradas linhas que dialoguem com a memória. Quanto a Arquivo, não tenho uma análise muito aprofundada, mas a impressão que tenho é que nunca se deu muita bola pra isso. Elas ficam meio como um ritual obrigatório, mas que tem sua importância não totalmente compreendida.
FPC – O Sr. fala também em união com a Educação. Quais perspectivas podemos vislumbrar desta parceria?
JF – Estamos conversando. Estive com o ministro (de Educação) e estamos trabalhando o estreitamento de programas pra levar cultura e arte para dentro das salas de aula e a Educação fortalecer a Cultura por meio de programas de formação de público. Fiquei muito bem impressionado com o ministro e, pela primeira vez, senti a possibilidade de uma integração.
FPC – Dados alarmantes apontam que mais da metade dos homicídios é sofrido pelos jovens. Um desperdício de vidas e possibilidades. Como a cultura perpassa por esta realidade e o que pode ser pensado em política pública cultural para atingir esta parcela?
JF - Boa parte das políticas do MinC tem como público principal os jovens, agora é preciso ter políticas mais concentradas de ampliar o acesso, motivar a leitura a viagem intelectual e o desenvolvimento artístico das pessoas. As Bibliotecas podem ser pontos de convergência da juventude, sendo ativas, como vi na Colômbia, locais que estimulem a ampliação de seu horizonte intelectual. São muitos os projetos dessa área. Temos o Mais Cultura nas Escolas e Universidade, temos os Pontos de Cultura, que são também estimuladores do protagonismo cultural da sociedade, em que boa parte é voltada para jovens. Temos uma série de frentes de trabalhos, muitas já consolidadas, que tem nos jovens um público maior. Acho que temos que construir também políticas para a infância, com a qual não trabalhamos, em especial o público de 0 a 4 anos. Estamos pensando o que seria uma política de cultura para a infância. Estamos também construindo uma política de Cultura Digital, que tenha relação direta com a internet, por meio de um centro de cultura digital. A internet e a digitalização permitem que em todo território nacional se tenha contato com os processos culturais.