Cia Baiana de Patifaria apresenta "Fora da ordem" em Feira de Santana

21/05/2015

[caption id="attachment_61983" align="aligncenter" width="430" caption="Foto: Mercury"][/caption] A Cia Baiana de Patifaria, com 28 anos de trajetória, se prepara para cair na estrada na Turnê Nacional 2105 do espetáculo FORA DA ORDEM, primeiro espetáculo ‘solo’ do ator Lelo Filho, bastante conhecido pelas atuações em outras montagens da trupe como Noviças Rebeldes, Siricotico, Abafabanca e pela popular Fanta Maria de A Bofetada. A Turnê Nacional, que inclui a estreia em São Paulo no segundo semestre, terá início em algumas cidades do interior da Bahia com 3 únicas apresentações no CENTRO DE CULTURA AMÉLIO AMORIM DE FEIRA DE SANTANA, de 29 a 31 DE MAIO, às 20horas. Com mais de 30 anos de carreira, Lelo Filho que além de ator, produtor, diretor e autor, é também um dos fundadores Cia Baiana, se viu mobilizado a novos desafios: estrear sozinho em cena, num texto escrito e dirigido por ele mesmo. FORA DA ORDEM foi ganhador do Prêmio Myriam Muniz 2013 da FUNARTE e é inspirado numa canção homônima de Caetano Veloso, que gravou especialmente para o espetáculo um trecho de ‘Haiti’. LELO FILHO E GRANDE ELENCO FORA DA ORDEM mistura teatro e cinema no palco e através das projeções Lelo acabou reunindo um coletivo de participações especiais com atores de várias gerações do teatro baiano, dentre eles: Alan Miranda (Capitães da Areia, +1 Filmes), Bertrand Duarte (Decamerão e Quarteto), Diogo Lopes Filho (Vixe Maria, Abafabanca), Hamilton Cerqueira Lima (Paixão de Cristo, As Confrarias), Jorge De La Puente (+1 Filmes), Mário Bezerra (Éramos Gays e Abafabanca), Talis Castro (Pólvora e Poesia, Abafabanca), Vinícius Nascimento (Capitães da Areia), Wanderley Meira (Longa Jornada Noite à Dentro, As Confrarias) e o ator mirim João Victor Sobral (Eu sou Don Quixote e Circo de só Ler) em vozes gravadas e aparições projetadas no cenário. O espetáculo conta ainda com Odilon Henriques como diretor assistente. FORA ORDEM, O ESPETÁCULO Ditadura, racismo, homofobia, violência, guerras santas, intolerância de vários tipos são alguns dos temas abordados em FORA DA ORDEM, um espetáculo que tem como força motriz discutir questões que as manchetes estampam a cada dia e que parecem revelar um mundo em busca de algo que pode ser uma nova ordem. FORA DA ORDEM, através da figura de um ATOR como um mestre de cerimônias, introduz o espectador no ritual do teatro com a apresentação de cada componente da equipe técnica envolvida para contar as histórias da família Telles Pinto que mistura ficção e realidade. O texto do espetáculo começa exatamente uma semana antes do Natal de 1968, ano em que a ditadura endureceu tirando direitos fundamentais de cada cidadão com a promulgação do AI-5. Através de um núcleo familiar que vai desmoronando ao longo do espetáculo, FORA DA ORDEM expõe aos que não viveram os ‘anos de chumbo’ o quão nocivo foi aquele período para a nação em vários sentidos: veto aos direitos políticos, cerceamento das liberdades individuais, censura prévia da informação que atingiu a todos e, mais brutalmente, as artes. O conflito se estabelece ao colocar em cena um pai militar e torturador num embate com quatro filhos que têm, como o próprio texto define, ‘a alma livre’. Ao longo de duas gerações o público verá a transmudação da família até os dias atuais. Os irmãos Pedro, Glorinha, Jonas, Adriano e seu filho Pedrinho são os personagens que compõem FORA DA ORDEM. Recriar um ambiente de censura e arbitrariedades como o que o ator Lelo Filho chegou a viver não foi tarefa simples. Foi como mexer num baú de memórias do período em que textos teatrais passavam pelo crivo da censura, novelas eram proibidas no dia de seu lançamento, discos de vinil tinham faixas arranhadas, letras de música ganhavam metáforas pra driblar as proibições do regime militar. Lelo Filho releu cartas, diários, ouviu histórias da própria família que teve conhecidos perseguidos pelos militares. O que o público verá é um mix de teatro e projeções, como um filme que se passa na cabeça do ATOR que contará essas histórias. Somado ao material original filmado para o espetáculo com atores e integrantes de sua própria família, Lelo Filho e a equipe de FORA DA ORDEM reuniram fotos e vídeo captados em zonas de conflito como Líbia, Haiti, Tunísia, etc, feitas pelo fotógrafo e documentarista André Liohn, paulista de Botucatu e primeiro sul americano a ganhar o Robert Cappa Gold Medal, um dos mais prestigiados prêmios de fotografia do mundo. Fotos do português João Pina, que acaba de lançar ‘Condor’, livro que reconta a operação que matou vários opositores das ditaduras na América Latina, imagens do documentário ‘Dzi Croquetes’ da dupla Raphael Alvarez e Tatiana Issa, além de registros fotográficos de Elói Correa, Leo Costa e Rafael Martins. A foto da arte gráfica é de Mercury. O processo de criação do texto foi acompanhado de perto, como uma espécie de consultoria dramatúrgica, por professores de Antropologia (Roberto Albergaria), Filosofia (José Antônio Saja), História (Ricardo Carvalho), movimento LGBT (Djalma Thurler) e dos Direitos Humanos (Dimitri Sales), que ajudaram a pontuar historicamente o que será encenado. Muito embora os temas abordados em FORA DA ORDEM, até se transformar em texto, venham sendo analisados e pesquisados há algum tempo, o que se verá no palco muito tem a ver com o momento de transformação que o país atravessa nos últimos meses. Uma espécie de retomada de consciência do poder que uma nação tem ao reivindicar mudanças. O espetáculo surge exatamente nesse momento em que assuntos tão relevantes para a convivência em sociedade ganham as ruas, os lares, as escolas, as rodas de conversa em todo país. Lelo Filho enxerga esse espetáculo como um desafio para amplificar esses temas. FORA DA ORDEM é uma montagem que pode se renovar à medida que os acontecimentos alterem as manchetes e, por conseguinte, os temas abordados. Sem ter a intenção de somente reproduzir as agruras que tanto o ator como a plateia vivenciam, a peça não quer só expor fragmentos dessa desordem, mas propor que, pela arte, possamos ver tudo isso com um olhar menos sombrio e que a linha tênue entre fantasia e realidade inspire a plateia a lutar por melhores dias. LELO FILHO E A CIA BAIANA DE PATIFARIA Em 2015 a Cia Baiana de Patifaria completa 28 anos nos palcos com um trabalho que sempre estabeleceu uma forte comunicação com o público em geral, produzindo um repertório de 8 peças (Abafabanca, A Bofetada, Noviças Rebeldes, 3 em 1, Capitães de Areia, A Vaca Lelé, Siricotico e Fora da Ordem), das quais Lelo Filho atua em cinco, dirige A Bofetada desde 2003 e é co-autor de Siricotico. SERVIÇO DE 29 A 31 DE MAIO, às 20h, no Centro de Cultura Amélio Amorim, Feira de Santana Ingressos: inteira R$ 30,00/ meia R$ 15,00. Recomendação etária: 14 anos Bilheteria: 75- 3612-4516