Biblioteca Anísio Teixeira inicia celebração de seus 30 anos com homenagem aos 115 anos do patrono

07/07/2015
[caption id="attachment_63713" align="aligncenter" width="451" caption="Fotos: Jamile Menezes"][/caption] Dia de música, encontro, arte e muitas homenagens na Biblioteca Anísio Teixeira, unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (FPC-Secult/BA) que comemora 30 anos no próximo dia 12 de julho (domingo). A data simboliza três décadas de patronato do educador caetiteense Anísio Teixeira, que neste mesmo dia completaria 115 anos.  Nesta terça (7), a Biblioteca deu início à celebração de aniversário com apresentação musical dos próprios funcionários, de cordel sobre Anísio e palestra do Mestre pelo Programa de Pós-graduação em Estudos Interdisciplinares sobre a Universidade no Instituto de Humanidades Artes e Ciências (IHAC) da UFBA, Bruno Vivas, que falou sobre a vida do educador baiano, sua importância para difusão da educação no Brasil, inclusiva e para todos. Na manhã desta terça, Bruno Vivas apresentou a trajetória de vida de Anísio Teixeira, seu empenho pela democratização da Educação em todo estado e país e falou ao público sobre seu legado. “Anísio talvez seja o homem mais importante para o Brasil no século XX, pois ele tentou trazer a educação pública laica e universal em uma época em que o Brasil tinha uma escola de privilégios e voltada para o catolicismo. Para ele, não faria sentido haver arte, música, literatura, democracia, sem uma escola pública, que é a máquina de se fazer democracia, como ele dizia. Tratar a inclusão, como o faz a Biblioteca, é apenas uma das vertentes que prezamos pela inclusão. Tratar com deficiente auditivo não deve ser apenas uma função da Biblioteca, pois deveríamos aprender isso desde criança, pois somos analfabetos ainda desta cultura”, frisou Vivas (confira aqui entrevista com o pesquisador sobre Anísio Teixeira). Inclusão - Na plateia, a neta de Anísio, Joana Neves Teixeira destacou as atividades que difundem o legado do avô em Caetité, cidade onde ele nasceu. “A Casa Anísio Teixeira é uma entidade cultural que trabalha com artes – por meio de cinema, teatro – e leitura, com a Biblioteca Móvel que percorre todo o município, em especial nas comunidades rurais. Era sua grande meta na vida ver uma Educação para todos, inclusiva e vemos isso nesta Biblioteca, que leva seu nome”, afirmou. Fundada em 1956, a Biblioteca adquiriu o nome do educador baiano somente em 1985, a partir de quando passou-se a comemorar seu aniversário, unindo ao de Anísio, no dia 12 de julho. Já em 2009, a unidade ganhou um atributo especial, com o Setor de Atendimento à Criança e Adolescente Surdo, o Sacas, que passou a conferir à Biblioteca o caráter de referência neste tipo de atendimento. “A partir deste ano, nós inserimos acervo em Libras, como livros e DVDS, além de ações culturais formativas, como Curso de Libras para familiares, funcionários, contação de histórias, palestras, oficinas – tudo em Libras, além da capacitação dos nossos funcionários para atender este público”, destacou a diretora da Biblioteca, Laura Galvão. Surdos - Atualmente, a Biblioteca Anísio Teixeira é a única Biblioteca estadual especializada neste público, cenário que vai mudar em breve, segundo a diretora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SEBP), Maria Cristina Santos. “O projeto de Acessibilidade nas Bibliotecas é uma parceria com o Sistema Nacional do MinC e contemplará 10 bibliotecas no Brasil, que serão referência em acessibilidade e a Biblioteca Pública do Estado (Barris), que é a primeira do Brasil e da América Latina, será uma destas. O projeto possibilitará a capacitação dos mediadores do livro e da leitura, tecnologia assistida com equipamentos facilitadores da leitura, reforma estrutural e acervo acessível”, frisou Cristina. Na segunda etapa do projeto, em julho, será feita capacitação dos funcionários das bibliotecas públicas estaduais em Libras, além de algumas municipais e comunitárias. “Queremos fazer a inclusão, propiciar atendimento às pessoas surdas e promover o livro e a leitura também entre elas como já o faz a Biblioteca Anísio Teixeira”, explicou a diretora do Sistema Estadual. O serviço especializado é aprovado por deficientes auditivos como o frequentador e professor de Libras, Anselmo de Jesus, que já é parceiro da Biblioteca na realização de cursos e oficinas. “É fundamental que as crianças tenham acesso ao conhecimento de livros e de materiais didáticos e culturais em sua língua. Hoje já está muito melhor do que antes, quando elas não tinham qualquer material disponível”, frisou. O também instrutor de Libras e surdo, Maurício Barreto concorda e amplia: “É preciso fortalecer a cultura do surdo, precisamos aprender sobre nós, nossa história, esta cultura precisa ser mais divulgada e a Biblioteca tem cumprido esse papel. Ter intérpretes de Libras aqui já é muito importante, mas precisamos ampliar o acervo especializado, inclusive com títulos de outros países”, destacou. A Biblioteca Anísio Teixeira recebe uma média de 150 leitores e pesquisadores a cada mês, possui cerca de 100 títulos voltados, exclusivamente, para a temática surda, com espaço de acolhimento infantil e funcionários capacitados para atender crianças, jovens e adultos com esta deficiência. Em 2010, um encontro especial surgiu desta interação entre os frequentadores da unidade. Em um curso de Libras, a fisioterapeuta, Taís Gondim não só se encantou com o mundo dos sinais, como com o instrutor, Caio Cesar Gondim, com quem se casou depois. A partir daí, passou a se dedicar acadêmica e profissionalmente à área. “Busquei mais cursos e formações e, por fim, enveredei pela especialização na Língua de Sinais. Estamos avançando, mas ainda estamos muito aquém do necessário. É lei que haja acesso do surdo à informação e a grande dificuldade que eles encontram é a comunicação e isso vem mudando aos poucos. Este movimento é imprescindível para que haja, de fato, acessibilidade deste público”, enfatizou Taís, que em 2011 abriu empresa especializada na oferta de formação em Libras, a Com Mãos. Para Taís, que hoje é especialista em Língua de Sinais, por conta da legislação está havendo muita demanda e, neste momento, é que se faz ainda mais importante a militância em prol do bilinguismo. “Nós que trabalhamos com a Língua de Sinais, apresentamos esta como primeira língua para o surdo e a do português na modalidade escrita, de modo que o surdo não se perceba como estrangeiro dentro do seu próprio país. A Biblioteca faz isso, colocando o surdo em contato com as questões sociais e políticas, incluindo-o e, pra mim, aqui foi o início de tudo”, falou Taís.   A programação de aniversário da Biblioteca Anísio Teixeira segue até este sábado (11), confira aqui.