‘Caretas do Mingau’ pode integrar dossiê de comemorações pela Independência da Bahia

17/07/2015
[caption id="attachment_64136" align="aligncenter" width="413" caption="Foto: Etelvina Rebouças e Graça Lobo"][/caption] Manifestação popular que acontece no município de Saubara, anualmente, na madrugada do dia 2 de julho, as ‘Caretas do Mingau’ poderão integrar o conjunto de festividades que comemoram a Independência da Bahia. Banhado pela baía de Todos os Santos, o município de Saubara está na região do Recôncavo da Bahia. Por via terrestre, circundando a baía, são 108 km saindo de Salvador até lá. Por via marítima, em linha reta, Saubara está a 39 km da capital. Os trabalhos para reunir e pesquisar as festas e as manifestações que se relacionam às lutas pela Independência da Bahia devem começar ainda neste ano, sob responsabilidade do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC). A maior parte das comemorações ocorre entre 25 de junho até o 2 de Julho. Foram nessas datas que aconteceram levantes e lutas em várias localidades do Recôncavo, com objetivo de libertar o Brasil da Coroa portuguesa. Em 2 de julho de 1823 a tropa libertadora, formada por brancos, índios, negros e mestiços entrou vitoriosa na Cidade de Salvador. >> Acesse o Facebook e o Twitter do IPAC. REGISTRO CONJUNTODe acordo com o diretor geral do IPAC, João Carlos de Oliveira, a intenção é construir um dossiê único e propor ao Conselho Estadual de Cultura o registro do conjunto como Patrimônio Cultural Intangível da Bahia. “Temos conhecimento de mais de 40 manifestações no Recôncavo e em outras regiões do Estado que comemoram a Independência da Bahia”, relata João Carlos. A convite da comunidade local, equipe técnica do IPAC esteve nas ‘Caretas do Mingau’ no 2 de julho deste ano (2015). “Acompanhamos a saída da Cabocla – em Saubara não tem o caboclo como em Salvador – e incluiremos a festa nos nossas estudos”, diz o gerente de Patrimônio Imaterial do IPAC, Roberto Pellegrino. Segundo ele, outras cidades e povoados serão visitados. O IPAC pesquisa em cartórios, fóruns, com entrevistas de especialistas e população, gravadas em vídeo, além de recortes de jornais e prospecções em arquivos públicos e particulares. Pela tradição oral, durante os combates pela Independência, as mulheres dos revoltosos saiam à noite para levar remédios e mantimentos para as tropas brasileiras, tentando se esconder ou assustar os portugueses. “Meu sonho é não deixar essa cultura dos ‘Caretas do Mingau’ morrer. A minha mãe de 77 anos não aguenta mais percorrer as ruas, mas eu vou continuar essa tradição”, afirma Guiomar Freitas uma das integrantes das Caretas do Mingau. >> Mais dados sobre os projetos, obras e ações do IPAC. HISTÓRIA - Saubara era denominada como Freguesia de São Domingos de Saubara. Até 1990 foi distrito de Santo Amaro da Purificação. O povoado surge a partir da edificação igreja de São Domingos de Gusmão da Saubara. A localidade à beia-mar foi fundada pelo português Brás Fragoso em 1685. A igreja é constituída de pedras e óleo de baleia, trazidos por jesuítas espanhóis da Ilha de Itaparica, junto com a imagem do santo. Ela serviu de quartel general nas lutas pela Independência da Bahia, onde do seu alto podia-se avistar os portugueses vindos do mar para o ataque. Localizada no interior da Baía de Todos os Santos, próxima à foz do Rio Paraguaçu, a região apresenta características paisagísticas diversificadas, reunindo praias de areias alvíssimas, falésias, áreas de manguezais e de Mata Atlântica com rios e cascatas.