Grupo Vilavox estreia espetáculo num casarão do Pelourinho para falar de trezentos anos de poder, conquista e barbárie

07/08/2015

Castelo da Torre, inspirado na trajetória da família Garcia D’Ávila, dá voz aos negros e índios, buscando mostrar uma visão dos oprimidos no processo de formação de nossa sociedade

[caption id="attachment_64954" align="aligncenter" width="409" caption="Foto: Grupo Vilavox"][/caption] Paredes, portas, janelas, escadas e cômodos de uma casa contam a história, assim como a voz dos oprimidos e mesmo cenas em que aparecem alguns dos personagens da família Garcia D´Ávila formam uma composição cênica bastante híbrida, com passagens profundamente dramáticas, grandes coros, cenas individuais, em duplas, cenas cômicas e solos musicais. As apresentações acontecerão no Solar São Dâmaso (Centro de Formação em Artes de Fundação Cultural do Estado da Bahia), com estreia no dia 21/08, às 19h, e temporada que se estende até o dia 27 de setembro, sempre de sexta a domingo às 19h. Este?projeto?foi contemplado pelo Edital nº 24/2013 - Apoio a Grupos e Coletivos Culturais, através do Fundo de Cultura da Bahia, mecanismo de patrocínio cultural das Secretarias de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Fazenda (Sefaz). A sétima montagem do grupo Vilavox tem como maior fonte bibliográfica o livro "O Feudo", de Moniz Bandeira, além de seminários sobre história da Bahia, promovidos pelo grupo com a participação do antropólogo Luiz Mott, as professoras Dra. Maria José Rapassi e Patricia Valim e o escritor Francisco JB Sá, além de uma videoconferência com o indicado ao Prêmio Nobel de Literatura 2014, Moniz Bandeira. Resultado de uma longa pesquisa (desde 2010) sobre a história da família Garcia D´Ávila, grande latifundiária desde os tempos da colônia que atravessou a história da Bahia e do Brasil com grande concentração de poder econômico, político e militar e construiu a maior edificação colonial, ainda hoje com suas ruínas preservadas na Praia do Forte, a peça, com texto desenvolvido pelo grupo Vilavox em processo colaborativo e redação final do dramaturgo e diretor Marcio Marciano, prioriza dar voz aos negros e índios, buscando mostrar uma visão dos oprimidos durante o processo histórico da formação de nossa sociedade. Itinerante, apresentada invariavelmente em casarões antigos, O Castelo da Torre, dirigida por Meran Vargens é uma obra onde a nossa memória é invocada flertando com a atualidade, para expor de forma crua nossas maiores atrocidades ao longo de mais de 300 anos. Com a participação de 14 atores (Bruno Guimarães, Camila Guilera, Clara Paixão, Daniel Farias, Diana Ramos, Diogo Teixeira, Fernanda Silva, Fred Alvin, Gordo Neto, Joker Guiguio, Larissa Lacerda, Marcia Limma, Vanêssa Cançado, Yanna Vaz), o Castelo da Torre conta com a longa parceria do grupo Vilavox e o diretor musical Jarbas Bittencourt. “O espaço da casa é o protagonista e testemunha de todas as memórias, contadas pelas paredes, portas, janelas, desse ambiente que ainda está de pé, em ruínas. Pensamos que é valioso lançar um olhar para o passado a fim de compreender o presente” declara Vargens. Ao ocupar um casarão do Centro Histórico de Salvador, “Castelo da Torre” explora as várias dimensões do espaço, se adequando à sua arquitetura e aos corpos dos atores – que com seus biótipos diversos, evocam às três raças que fundaram o povo brasileiro. De acordo com a atriz Márcia Limma, essa nova montagem reestabelece a ligação do grupo com o teatro político e histórico, iniciada com o musical Primeiro de Abril, que versou sobre o Golpe Militar de 1964 e os sangrentos anos de ditadura. “Em Castelo, estamos olhando para história, rever nosso papel no presente, buscar outras formas de se representar no mundo” explica a intérprete. Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais. SERVIÇO Temporada de Estreia do Espetáculo Castelo da Torre – Grupo Vilavox De 21/08 a 27/09 de 2015, às 19h No Solar São Dâmaso (Centro de Formação em Artes da FUNCEB. Rua do Bispo, 29, Pelourinho.) Gratuito Mais informações: 3321-9054