Cinco peças de Matéi Visniec estão em cartaz no Teatro Vila Velha

11/08/2015

Projeto Matéi reúne textos de um dos mais importantes dramaturgos contemporâneos, todos sob direção de Marcio Meirelles

[caption id="attachment_65156" align="aligncenter" width="442" caption="Foto: Marcio Meirelles"][/caption] Durante todo o mês de agosto, no Teatro Vila Velha, cinco peças do autor Matéi Visniec são apresentadas de quarta a domingo pelo Projeto Matéi. Dirigidos por Marcio Meirelles, os espetáculos Fronteiras (quartas, 20h), Agorafobias(quintas, 20h), Deserto (sextas, 20h), A História dos Ursos Pandas (sábados, 20h) e o monólogo As Palavras de Jó(domingos, 19h) passeiam pelas mais diversas temáticas das relações humanas, com uma série de metáforas, doses de humor e muita ironia. Todas as peças são acessíveis para cegos através de recurso de audiodescrição. Nascido na Romênia e radicado na França, Matéi Visneic é um dos dramaturgos contemporâneos mais aclamados pela crítica internacional, e tem sido montado no Brasil por diretores como André Abujamra, Rodrigo Spina e Regina Duarte. Na Bahia, desde 2013, os textos de Visniec vêm sido trabalhados pelo encenador Marcio Meirelles, com quem o autor desenvolveu a partir de então uma relação de parceria e amizade. "Encontrei em Marcio um irmão cultural. Nós temos a mesma cultura teatral, gostamos dos mesmos autores, ambos achamos que o teatro tem uma dimensão social. Nós acreditamos que o artista tem uma missão na sociedade", afirma Visniec. Antes do Projeto Matéi, o Teatro Vila Velha produziu outras quatro peças do autor: Espelho para Cegos, Por que Hécuba, O Último Godot e A Mulher como Campo de Batalha. As peças Fronteiras, Agorafobias e Deserto, apresentadas entre quarta e sexta, juntas formam a trilogia Cuidado com as Velhinhas Carentes e Solitárias. Nelas, situações absurdas - como um workshop sobre como mendigar de maneira eficiente e um desfile de mortos em combate de volta à sua pátria - servem para provocar reflexões sobre as relações e a sociedade. O espetáculo A História dos Ursos Pandas fala sobre amor a partir da história de dois jovens que acordam na mesma cama e não se lembram como foram parar lá. Já o monólogo As Palavras de Jó - que marca o retorno de Marcio Meirelles aos palcos, como ator,  depois de 36 anos - parte de uma referência ao personagem bíblico para contar a história de um outro Jó, que não perde a fé no ser humano. O Projeto Matéi, além do encenador Marcio Meirelles, conta com a colaboração de um coletivo de artistas: João Milet Meirelles, Pedro Amorim, Ridson Reis, Caio Terra e Marcelo Jardim em música; Rejane Maia, Anita Bueno, Janahina Cavalcanti, Marcelo Galvão, Leno Sacramento e Jonatas Raine em movimento; Bertho Filho em preparação do ator; Rafael Grilo em projeções audiovisuais e Lia Cunha em arte visual. Em cena, estão os atores da universidade LIVRE de teatro vila velha, programa de formação de atores a partir do qual o Vila montou, em dois anos e meio, 15 espetáculos teatrais. SINOPSES DOS ESPETÁCULOS FRONTEIRAS temporada: quartas-feiras agosto, 20h, no teatro vila velha | R$ 30 e 15 texto: matéi visniec | direção: marcio meirelles | direção musical: pedro amorim O espetáculo parte de quatro situações curiosas para provocar reflexões sobre as guerras que assolam o mundo. Em "Blasfêmias", um cidadão espera um trem que nunca chega à estação. Em "Pense que Você é Deus", dois garotos munidos de um fuzil buscam sua próxima vítima em meio às ruas e edifícios da cidade. Em seguida, uma mulher com uma criança aos braços tenta cruzar a fronteira até o território dos direitos do homem, no conto intitulado "Espere o Calorão Passar". Por fim, em "A Volta para Casa", um general acorda os mortos em um campo de batalha e tenta organizá-los em um grande desfile de volta a sua pátria. AGORAFOBIAS temporada: quintas-feiras de agosto, 20h, no teatro vila velha | R$ 30 e 15 texto: matéi visniec | direção: marcio meirelles | direção musical: pedro amorim Em Agorafobias, situações absurdas levam o público a reflexões sobre as relações humanas e a tensão entre indivíduo e sociedade. O espetáculo é composto de diferentes contos, que vão desde um curioso workshop sobre como mendigar de maneira eficiente; uma garçonete histérica que se revolta com os clientes do restaurante; até o encontro de um menino com um homem cuja ferida é um espelho. A disposição da plateia provoca uma relação de proximidade e coloca o público praticamente dentro da cena. DESERTO sextas-feiras de agosto, 20h, no teatro vila velha | R$ 30 e 15 texto: matéi visniec | direção: marcio meirelles | direção musical: pedro amorim Neste espetáculo, que reúne seis cenas independentes, o deserto pode ser o cenário ou estar presente como uma metáfora. Aqui, as situações servem de pretexto para reflexões sobre o sentido da vida e da morte, o valor das coisas e das pessoas, e sobre o tempo. "Carona", "Sanduíche de Frango", "Não Sou Mais Sua Coelhinha", "Um Café Longo, um Pouco de Leite Separado e um Copo D`Água" e "A Grande Ressaca" abusam das imagens e da ironia, típicas do dramaturgo Matéi Visniec. A HISTÓRIA DOS URSOS PANDAS temporada: sábados de agosto, 20h, no teatro vila velha | R$ 30 e 15 texto: matéi visniec | direção: marcio meirelles Numa manhã, dois jovens acordam na mesma cama e não se lembram como foram parar lá. Os dois decidem iniciar uma relação e fazem o acordo de passar apenas nove noites juntos e separar-se logo em seguida. As nove noites passam lentamente e parecem uma vida inteira, que abriga alegrias, descobertas, desilusões, novos e velhos rituais de amor. A peça, que põe em cena os atores Fernanda Veiga e Neto Cajado, é a segunda montagem deste texto de Matéi Visniec feita por Marcio Meirelles - a primeira estreou em março de 2015, em Portugal, no Teatro Viriato, como parte do Projeto K-Cena. AS PALAVRAS DE JÓ temporada: domingos de agosto, 19h, no teatro vila velha | R$ 40 e 20 texto: matéi visniec | direção: marcio meirelles | direção musical: joão milet meirelles A partir de uma provocação do próprio autor da peça, o dramaturgo romeno Matéi Visniec, o encenador Marcio Meirelles aceita o desafio de subir ao palco, após 36 anos distante do trabalho de ator. No espetáculo, Jó - referência ao personagem bíblico que é testado a abandonar a fé em Deus - reafirma a sua crença no ser humano, apesar de todos os males. A peça tem direção de Meirelles; direção musical e trilha sonora executada ao vivo por João Milet Meirelles; arte gráfica de Lia Cunha; e projeções de Rafael Grilo.