17/08/2015
A etnomusicóloga Emília Biancardi junto à Orquestra Museofônica realizam, nesta terça-feira (18), às 9h, uma tocata para os alunos da Escola de Dança da Funceb, com base na cultura afro-brasileira e no samba de cozinha. O objetivo da atividade é ampliar os conhecimentos dos participantes a respeito do histórico e da espontaneidade do samba de cozinha, que utilizava pratos e colheres como instrumentos. “Os ritmos e as práticas envolvendo o samba são fruto de uma espontaneidade que surgiu nas cozinhas dos barões e baronesas, lugar onde os escravos transformavam seu cotidiano difícil em formas de lazer, como a dança e a música”, informou Emília. A tocata será realizada na própria Escola de Dança e participarão cerca de 50 alunos.
Emília Biancardi
A etnomusicóloga baiana Emília Biancardi empreendeu, ao longo de sua vida, importantes pesquisas buscando entender a experiência humana na criação de sons. Nascida em Salvador, passou sua infância em Vitória da Conquista, cidade do interior da Bahia. Desde pequena vivenciou a música com a mãe ao piano e o pai nas batucadas de mesa. Entre o erudito e o popular construiu a sua formação musical, apaixonando-se pelas manifestações populares, afro-brasileiras e indígenas.
Emília possui uma extensa Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais, que apresenta um acervo com mais de mil peças coletadas e recriadas nos cinco continentes, com destaque especial para os instrumentos indígenas brasileiros, além dos africanos e afro-brasileiros. Doado ao Governo do Estado, o acervo entrará em exposição, e habitará três salas na nova ala do Solar Ferrão, cujo acesso será através da segunda portaria, que ganha ainda salas de acolhimento e de iniciação musical.
Orquestra Museofônica
A Orquestra Museofônica é uma proposta pedagógica musical idealizada pela Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (DIMUS/IPAC), Ana Liberato,tendo como referencia a Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais Emília Biancardi. É composta por cerca por 30 integrantes, funcionários atuantes nas instituições museais e no IPAC, além de músicos convidados. Os instrumentos utilizados nas apresentações são provenientes das viagens de Emília por terras africanas, indígenas, orientais e europeias.
ESCOLA DE DANÇA DA FUNCEB
Fundada em 1984, a Escola de Dança da FUNCEB constituiu-se como a primeira escola pública do gênero no país, e agora integra o Centro de Formação em Artes. A instituição, localizada à Rua da Oração, nº 1, Terreiro de Jesus – Pelourinho, atende uma média anual de mais de mil alunos, entre crianças, jovens e adultos, em especial afrodescendentes, oriundos de escolas públicas e moradores de bairros populares. Atua na iniciação, formação técnica e qualificação em dança – assim, ocupa a vida de um público infanto-juvenil e também de adultos com os benefícios da prática artístico-cultural, apresenta à sociedade novos profissionais anualmente e aperfeiçoa o trabalho de artistas que já representam a produção contemporânea da dança baiana.
Além do alinhamento às políticas dos ministérios da Cultura e da Educação, a Escola de Dança da FUNCEB é também conveniada à Secretaria de Educação do Estado da Bahia. Esta vinculação com o sistema educacional do Estado abre diversas possibilidades de ação e qualifica o trabalho da Escola, além de fortalecer o reconhecimento da educação através das artes na Bahia. Outro comprometimento é com a Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira em todas as escolas brasileiras. Para tanto, a Escola de Dança da FUNCEB garante a inclusão de disciplinas como Dança Afro, Danças Populares e Capoeira nos currículos de seus cursos e realiza eventos de valorização de conteúdos relacionados às matrizes culturais que também estruturam a dança feita na Bahia.
O trabalho contínuo da Escola de Dança da FUNCEB traz resultados sólidos para o cenário desta linguagem artística. Através de parcerias com grupos e projetos artísticos, mostras e circulação de produtos, alunos e ex-alunos da instituição vêm conquistando reconhecimento em todo o país, inclusive com premiações em festivais e editais de apoio à Cultura Bahia afora.
