Ana Maria Gonçalves fala de leituras, escritas e produção literária negra

22/09/2015
Ana Maria Gonçalves Em outubro, a Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia realizará o Curso de Escritas Criativas, com a escritora Ana Maria Gonçalves, que se unirá a um time de grandes nomes da escrita em suas variadas linguagens. São eles: a escritora, prosadora e dramaturga Cidinha da Silva (MG), o poeta, romancista, roteirista de cinema e televisão e professor, Paulo Lins (RJ), o escritorMarcelino Freire (PE) e a atriz-MC, diretora, diretora musical, pesquisadora, slammer, Roberta Estrela D’Alva (SP). Confira o #FPCEntrevista com Ana Maria Gonçalves e conheça mais sobre o projeto:   #FPCEntrevista – O que é a leitura para você e como entrelaçar o livro e a criatividade a partir da ficção? Ana Maria Gonçalves - Tenho plena consciência de que tive uma formação privilegiada como leitora. Desde muito cedo tive contato saudável e estimulante com os livros, através da minha mãe, que é leitora compulsiva. Através do exemplo dela, cresci vendo a leitura como algo prazeroso e divertido, e não como obrigação. Tenho certeza de que isto foi fundamental na minha vida, em vários sentidos, mas principalmente ampliando horizontes e conservando características que me são caras, como a curiosidade, o inconformismo, o questionamento, a compreensão das contradições e ambiguidades humanas. A literatura de ficção nos possibilita isso através do contato com outros mundos (exteriores e interiores), com dramas, alegrias e tragédias, com culturas às quais não teríamos acesso de outra maneira. A partir desses locais de alteridade podemos imaginar também novas possibilidades e transformações no mundo ao nosso redor. Para isso, para um mundo em que haja maior representatividade e, consequentemente, mais entendimento e possibilidades, acredito que novas histórias precisam ser contadas. Histórias que fujam à produção hegemônica do mercado editorial brasileiro que é composto, em grande maioria, por homens brancos, héteros, classe média ou média alta, de grandes centros urbanos do sudeste, escrevendo sobre seus próprios universos ou sobre universos e personagens que, sendo-lhes distante física ou emocionalmente, muitas vezes são representados de maneira estereotipada e/ou exótica. >> Confira entrevista na íntegra