Composição de Paulo Costa Lima abre a XXI Bienal de Música Contemporânea Brasileira no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, dia 10 de outubro

28/09/2015
Orquestra Neojiba2 O ano de 2015 está sendo especial para o compositor baiano Paulo Costa Lima. No primeiro semestre, viu uma obra sua inédita, Cabinda, nós somos pretos, ser executada na sala São Paulo pela Osesp, sob a regência de Marin Aslop e aclamada pelo público e pela crítica.  Logo depois teve seu nome indicado como tema do III Festival de Música Contemporânea Brasileira, que será realizado em março de 2016, na Unicamp.  E no próximo dia 10 de outubro, terá outra composição inédita abrindo a XXI Bienal de Música Contemporânea Brasileira no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Caboclo 7 Flechas: Um Batuque Concertante OP. 102 será interpretada pelo solista Aleyson Scopel, acompanhado pela orquestra Neojibá. A composição foi criada em cima de uma técnica de origem africana, em que o solista toca e a orquestra responde. “A peça tem esse nome porque é baseada na melodia de uma flecha sendo atirada. A estrutura da peça pega esses detalhes e amplifica”, explica Costa Lima. Segundo o compositor, Caboclo 7 Flechas: Um Batuque Concertante celebra a riqueza das construções culturais do contexto dos caboclos, não apenas a entidade religiosa dos candomblés da Bahia, mas também a entidade cívica que simboliza o mito de criação da Bahia, através da Guerra da Bahia, e de sua vitória a 2 de julho de 1823. Durante todos esses anos acontece o desfile do caboclo e da cabocla que marcam a independência do Brasil (na Bahia). Várias construções melódicas desse contexto são visitadas, e uma delas, a do caboclo sete flechas ("Ele atirou, ele atirou ninguém viu, só sete flechas que sabe, aonde a flecha caiu") acaba sendo utilizada como semente que dará origem a estruturas rítmico-melódico-harmônicas utilizadas no Batuque. “Chama-se batuque porque há uma grande ênfase em gestos rítmicos, o piano sendo muitas vezes tratado como percussão que deveras é”, afirma o músico. “O gesto da flecha  sendo atirada, que está presente na melodia do caboclo sete flechas, é submetido a inúmeras transformações, fazendo a ponte para contextos mais contemporâneos que se entrelaçam com os tradicionais o tempo todo, gerando uma sensação, e uma lógica musical, onde tudo pode acontecer. O batuque concertante valoriza também as texturas responsoriais, fazendo desse jogo entre solista e orquestra a principal dinâmica de apresentação dos eventos”,  conclui. O concerto acontecerá no dia 10 de outubro, a partir das 17 horas, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.  Ingressos a partir de R$10. Vendas: 21 2240-5158.  Festival de Música Contemporânea Brasileira – compositor profícuo, professor da Universidade Federal da Bahia e de reconhecido talento tanto no meio acadêmico quanto artístico, Paulo Costa Lima tem como marca registrada a busca pela aproximação do erudito com o popular.  Essas características levaram o seu nome a ser indicado, junto ao de Ronaldo Miranda, como tema do III Festival de Música Contemporânea Brasileira (FMCB), que será realizado em março de 2016, na Unicamp. O Festival foi criado com o objetivo de divulgar a música erudita brasileira e promover a apreciação de compositores vivos para toda a população.  Tanto Paulo Costa Lima quanto Ronaldo Miranda ocupam papel importante na história da música contemporânea brasileira e impactaram particularmente o desenvolvimento musical e cultural dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. São membros da Academia Brasileira de Música e se destacam com diversos prêmios nacionais e internacionais. Serviço:  XXI Bienal de Música Contemporânea Brasileira Data: 10 de outubro de 2015 Horário: 17h Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro Endereço: Praça Floriano, S/N - Centro, Rio de Janeiro - RJ, 20031-050 Tel.: 21 2332-9191 Ingressos: R$10