Preservação da natureza é mensagem dos Filhos de Gandhy

07/02/2016

Gandhy no domingo

Foto: Sidney Rocharte

“Sem folha não há orixá”, afirmou Tio Souza,  conhecido como o guru do Afoxé Filhos de Gandhy, bloco que desfila há 67 anos no Carnaval de Salvador e que, em 2016, homenageia a natureza. Com a mensagem de paz, harmonia e equilíbrio, o cortejo saiu do Largo do Pelourinho com destino ao circuito Osmar (Campo Grande). O Afoxé Filhos de Gandhy é uma das 94 entidades apoiadas pelo programa Ouro Negro do Governo do Estado, gerido pela Secretaria de Cultura (SecultBA).

Para reverenciar o orixá Exú, considerado o guardião das ruas, os foliões se concentraram no Largo do Pelourinho para realizar o tradicional ritual padê, cujo preparo das oferendas aconteceu na sede do Afoxé Filhos de Gandhy. “Que nossos caminhos estejam abertos e que sejamos vigilantes de nós mesmos para respeitar todas as pessoas por onde passarmos”, afirmou Tio Souza. Sobre a homenagem à natureza, o guru explicou que há uma preocupação muito grande com os rios e seus afluentes e que em Salvador existem vários parques que precisam ser preservados, como o Parque de Pituaçu, o Parque São Bartolomeu, o Parque da Cidade e a Lagoa do Abaeté. “Nossa referência é a nossa religiosidade”, defendeu.

Com a tradicional vestimenta azul e branca, acompanhada de turbante, colares e a sacolinha com alfazema, cerca de seis mil “filhos de Gandhy” desfilaram no bloco afro que compõe a programação do Carnaval Ouro Negro. Pela primeira vez, o folião Péricles Marques, de 27 anos, desfilou motivado pelos amigos, que já saem todos os anos. “A paz é fundamental e a filosofia de Mahatma Gandhy tem que ser seguida”, disse.

Gabriel Gomez, do Uruguai, que está conhecendo o Carnaval de Salvador, se encantou com o ritual, principalmente com as pipocas e as pombas brancas lançadas para o alto. “O mais importante é a mensagem de paz e amor. Que tenhamos filhos de Gandhy durante todo o ano”, desejou.

CARNAVAL DA CULTURA

O Carnaval da Cultura 2016 é o carnaval da democracia e da diversidade, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Ouro Negro, Carnaval Pipoca e Outros Carnavais

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