Campo Grande incendeia beleza com Filhos de Gandhy e Muzenza

09/02/2016

Bloco Muzenza no último dia de Carnaval

Foto: Almir Santos

Os tradicionais blocos Afoxé Filhos de Gandhy e Afro Muzenza do Reggae levaram ao circuito Osmar, nesta despedida de carnaval, o que há de melhor na avenida: a irreverência da cultura baiana agregada à cultura herdada do povo africano. As entidades, contemplados pelo Carnaval Ouro Negro da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, desfilaram nesta terça-feira (09), último dia de Carnaval.

“Olha o Gandhy aê, olha o Gandhy Aê Ô”. Com mensagem de paz, harmonia e equilíbrio, o Afoxé Filhos de Gandhy saiu da Praça da Sé com destino ao Circuito Osmar (Campo Grande). A avenida virou um tapete branco e perfumado. Há 67 anos o tradicional bloco sai pelos circuitos com sua vestimenta branca e azul, acompanhada de turbante, colares e a sacolinha com alfazema. Neste tiveram cerca de 6 mil homens no cortejo. “Ko si ewe, ko si orixá” é a expressão tema do bloco, que significa “Sem folha não há Orixá”, já que este ano o afoxé homenageia a natureza.

“É muito bonito. Me dá um pouco de tristeza porque já vai acabar o Carnaval. São muitos anos já juntos e com um só pensamento: levar alegria para o povo”, disse Paulo Santos, que sai no cortejo há 20 anos. “Somos todos irmãos. Para mim é como se fosse uma família”, emociona-se Valmir Santos, que tem 25 anos de carnaval no bloco e acredita que a mensagem dos “filhos” é simples, “união e paz”.

Muzenza - Laiane Moraes, de 13 anos, já sai no Muzenza há três anos, junto com outros amigos e familiares. Na ala de Príncipes Africanos, a adolescente já está com saudade e quer sair no cortejo do bloco novamente ano que vem. O mesmo deseja Alan Santos, de 15 anos, que também desfila há três. A entidade espalhou beleza nas ruas com o tema “Muzenza, 35 anos de Reggae, Cultura e Cidadania”, reunindo pessoas de diversas idades, classes sociais e até de outras nacionalidades.

Ronald Castro, que saiu como destaque da ala de dança, é dançarino do grupo Balé Folclórico da Bahia. “Aqui tem uma cultura ampla. Não só dança afro, mas pagode e valsa. Todo mundo se encontra pela arte. A dança unifica as pessoas”, disse o jovem, explicando que toda a coreografia apresentada na ala é na base do improviso. “É um orgulho ser reconhecido no meio de tanta gente para representar a beleza da dança afro”.

Bob Marley foi homenageado por Antonio Honorato Santos e sua esposa, que integra o bloco Muzenza, há 30 anos. O rastafári desejou muita emoção, paz e felicidade a todos os foliões brasileiros. 

CARNAVAL DA CULTURA

O Carnaval da Cultura 2016 é o carnaval da democracia e da diversidade, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Ouro Negro, Carnaval Pipoca e Outros Carnavais