06/04/2016

Foto: Acervo Grupo A Tribo Buerarema
Famoso por ser um consistente representante do Modernismo nacional, o romance A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, ganhou sua versão para o teatro em adaptação do premiado dramaturgo, Luís Sérgio Ramos. A pré-estreia será nos próximos dias 15, 16, 17, 22, 23 e 24 de abril, às 20 horas, no Centro de Cultura Adonias Filho. Produzido pelo grupo A Tribo, a peça tem direção de Gideon Rosa e integra a programação do projeto de Agitação Cultural de Buerarema, que conta com apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, mecanismo de fomento à cultura gerido pelas secretarias de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Fazenda (Sefaz).
O espetáculo tem cerca de 40 minutos e se propõe a ser um facilitador para aqueles que possuem dificuldade em relação à obra de Clarice Lispector. Resultado de mais de um ano de oficina com novos atores, o grupo A Tribo, depois de mais de 15 anos de atuação na região, avança na direção de aprimoramento técnico e aquisição de novos integrantes que serão vistos nessa montagem.
A realização é do Instituto Macuco Jequitibá e faz parte de uma programação que acontece até junho na Casa de Cultura Jonas&Pilar, em Buerarema.
O texto - A Hora da Estrela (1977) é a última obra de Clarice Lispector. Neste livro, que tem como narrador Rodrigo S.M., alter ego da autora, há o retrato de uma jovem nordestina, Macabea, que tenta sobreviver na cidade grande. A narrativa, complexa, é marcada pela presença dos conflitos existenciais da protagonista. A narrativa é uma interminável pergunta sobre a condição humana, ao longo de um enredo no qual se fundem histórias ou eixos distintos e complementares: a vida ruim de Macabea, imigrante nordestina que vive desajustada no Rio de Janeiro.
A montagem - “Nossa versão de A Hora da Estrela é um pequeno mergulho no universo da juventude. No início são adolescentes que estão em um acampamento e resolvem encenar a história de Macabea”, diz o diretor Gideon Rosa. Segundo ele, essa foi uma estratégia para facilitar a veiculação dos temas do romance que, às vezes, impõem barreiras ao leitor menos experimentado.
“Reconhecemos primeiramente que o teatro tem uma certa dificuldade em retratar tudo o que a literatura é capaz de deixar impresso nas páginas do livro, por isso não abri mão nem do lúdico nem do humor”, conta o diretor do espetáculo. O dramaturgo Luís Sérgio Ramos apanhou a linha principal da obra com o intuito de apresentar o livro a estudantes e à comunidade que desconhece a grandiosidade de Clarice Lispector.
“E eu radicalizei na montagem, ao retirar a figura do narrador e apostei na argúcia do espectador”, diz Gideon, que considera Luís Sérgio Ramos um dos mais talentosos dramaturgos baianos. “Da minha parte fiquei apavorado com o aspecto trágico e tenso de toda a trama e busquei enfatizar os assuntos que estão em voga na atual conjuntura, um deles, o preconceito com o qual os nordestinos são tratados pelos sulistas, o que é histórico “, observa.
“Tentei imprimir leveza numa história trágica”, comenta Gideon. A Hora da Estrela, versão de Luís Sérgio Ramos, resultou num espetáculo de curta duração: apenas 40 minutos. “Mas lá está o essencial do talento literário de Clarice, acredito”.
Luís Sérgio Ramos começou a escrever ainda adolescente em Itororó e como não possuía muito acesso aos livros, inventou de fazer adaptações dos especiais de televisão. “Um deles foi Meu Último Baile, de Janete Clair e como não tinha o texto em mãos, usei apenas a memória, quando percebi tinha reescrito toda a história, focando o que mais me interessava”, explica o dramaturgo.
No caso de A Hora da Estrela, Luís Sérgio Ramos garante que teve mais compromisso com o original, afinal de contas estava adaptando um texto da enigmática e genial Clarisse Lispector. “Mesmo assim tive que criar situações e diálogos inexistentes, já que se tratava da transposição da literatura para o teatro e acabei inventando uma personagem que não existe, como a moça que sai da casa da cartomante antes de Macabea entrar no estabelecimento”, confessa o dramaturgo.
Dentre suas obras encenadas estão Um Prato de Mingau para Helga Brown (Troféu Bahia Aplaude/96 de Melhor Texto, publicado em 2004), A Bússola de Úrsula (Troféu Bahia Aplaude/97 de Melhor Texto), A Cicatriz (também publicado em 2004), Se O Ascendente de Mamãe Fosse Aquário (meu predileto, adaptado pelo IAT e TVE), Enquanto a Era de Capricórnio Não vem (sobre a descoberta da América, excursionei com este espetáculo pelo sul do Brasil, Uruguai e Argentina, uma aventura inesquecível), Erro de Fabricação e os inéditos Um Estranho em Madrid e o Jogo de Demétrius, neste não existe a letra “A”.
Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais. Para mais informações, acesse: www.cultura.ba.gov.br
Serviço
O quê: A Hora da Estrela.
Autor: Luís Sérgio Ramos, da obra de Clarice Lispector.
Diretor: Gideon Rosa.
Elenco: Camilla Nobre, Cleide Jardim, Cristiano Nunes, George Mendes, George Silva, Jenyfer Santana, Laise Oliveira, Leo Vieira e Rafael Guirra.
Onde: Teatro da Casa de Cultura Jonas&Pilar – Buerarema.
Quando: Dias 15, 16, 17, 22, 23 e 24 de abril, às 20h.
Ingressos: R$ 2 (inteira) e R$1 (meia)
Informações à imprensa: Vera Rabelo | (73)3612.1500 - 98809.1730 (whatsapp) - 99168.6320