Linguagem circense é usada para estimular adultos e crianças a cuidar da natureza

02/05/2016
Projeto Mágico Mar
Foto: Gajé

Neste domingo, dia 08 de maio, às 19h, o Jardim dos Namorados, na área próxima à Colônia dos Pescadores, receberá a apresentação do projeto Mágico Mar, iniciativa que usa da magia do circo para sensibilizar adultos e crianças para a preservação do ambiente marinho. Mágico Mar é um projeto artístico que espetáculo, audiovisual e uma exposição. Encenado por Rino Carvalho, com roteiro de Joice Aglae e atuação de Fernando Lopes e Simone de Araújo, o espetáculo percorre desde março praças, escolas públicas, asilos e abrigos para provocar reflexões sobre nossa relação com o consumo e o seu descarte na natureza. O projeto tem apoio do Fundo de Cultura da Bahia, mecanismo de fomento à cultura gerido pelas secretarias de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Fazenda (Sefaz).

A iniciativa surgiu do incômodo de Fernando Lopes, arte-educador, ator e mágico diante da constância do depósito de lixo nos mares e praias, bem como da pouca consciência sobre consumo que leva ao descarte de resíduos sem critério na natureza. Por conta disso, o artista pensou um projeto integrando espetáculo com técnicas de mágica, uma exposição fotográfica assinada por Darcílio Gajé, que teve como ponto de partida três temas: O Mar Limpo e Saudável, O Mar Sujo e Doente, O Pescador, O Fruto do Trabalho do Pescador. Também integra o projeto a exibição do vídeo documentário sobre o lixo que chega ao mar e afeta a vida dos pescadores, que conta com roteiro e direção de Gastão Netto.


Para o produtor Wanderley Meira, da Transformação Projetos Culturais, “Mágico Mar é um poema sobre a solidão, nesse caso, uma solidão causada pelo consumismo da humanidade que encharca o mundo de lixo e ilha as pessoas. Uma angústia pela imobilidade e pela sensação de impotência que o lixo à nossa volta nos causa - quando os problemas tomam uma dimensão tão, tão grande que as ações já são “quase” inúteis. Já que é quase impossível mudar. A chegada do outro abre novas possibilidades, a parceria nos torna mais potentes, mais ousados, diversifica nosso olhar, faz mágica e transforma. Em parceria, com novo olhar, o lixo pode até ser bonito, útil, até luxo”.

A encenação de Rino Carvalho elegeu a poesia para cena, explorando as possibilidades dos criadores Fernando Lopes e Simone de Araújo, que trazem mágica, recursos clownescos, efeitos especiais e muita expressividade para contar a história de Açolina, uma mulher ilhada no meio de um mar de lixo de um futuro qualquer que vive pedindo ajuda jogando garrafas de S.O.S. Um dia aparece Espiga, um catador de garrafas, um atrapalhado mágico que revela para Açolina um possível mágico mar limpo e azul. A mágica profissional povoa todo trabalho, trazendo ilusão, sonho, mas também o desejo de transgredir e transformar o cotidiano.

“Mágico Mar é um poema crítico que perpassa um futuro muito incerto em relação ao lixo e às relações humanas, nesse momento tecnológico que estamos vivenciando com tanta rapidez e descarte, em vamos acumulando coisas e nos isolando sem nos darmos conta de como estamos tão cheios, mas vazios” explica o encenador.

Mágico Mar conta com trilha original composta pelo músico Deco Simões, além de cenografia assinada por Maurício Pedrosa. A iluminação, criada por Fernanda Paquelet e Fernando Lopes, foi pensada para espaços não convencionais, além de seguir uma lógica de baixo consumo, convergindo com o pensamento que norteia o espetáculo. Assim, para iluminar as cenas, empregam-se lâmpadas de baixo consumo, alimentadas por baterias.

A cada apresentação, o público poderá assistir ao curta documentário, que traz elementos para provocar uma reflexão sobre a responsabilidade individual com relação ao lixo. No mesmo espaço, estará disposta a exposição fotográfica, que homenageia os pescadores e mostra imagens lindas do mar limpo, imagens do mar sujo e poluído, imagens de pescadores em atividade e imagens de pratos com os frutos do mar.

O projeto Mágico Mar circulará por praças públicas, em apresentações gratuitas, além de também contar com apresentações em escolas públicas, asilos e organizações não-governamentais.

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, oFundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundode Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.