02/05/2016

Foto: Otoniel Catarino
O projeto cultural A Bahia de Ouro e Pedra de Alcyvando Luz é uma homenagem e expansão da vasta obra do compositor baiano e multi-instrumentista Alcyvando Luz. Através da realização de seis shows, a cantora, atriz e filósofa Dora Bahiana, afilhada musical do artista, interpreta as canções do “Nêgo Véio da Bahia”. Com estilo versátil, Dora traz nova roupagem às músicas que fizeram sucesso nas vozes de cantores como João Gilberto, Caetano Veloso e Cesária Évora, além de apresentar algumas das músicas inéditas de Alcyvando. As apresentações, que têm direção musical de Son Melo, acontecem no Teatro Dona Canô, em Santo Amaro da Purificação, nos dias 07 e 08.05, às 19h30. A iniciativa é apoiada pelo Fundo de Cultura da Bahia, mecanismo de fomento à cultura gerido pelas secretarias de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Fazenda (Sefaz). O Teatro Dona Canô é um dos espaços culturais geridos pela SecultBA.
Foi com o intuito de homenagear seu padrinho e expandir a obra do “Nêgo Véio”, de valor inestimável para a Bahia e para a música popular brasileira, que Dora resolveu iniciar o projeto A Bahia de Ouro e Pedra de Alcyvando Luz. “Cantar Alcyvando Luz, é cantar o meu amor pela música”, define a cantora, que é apaixonada pela obra do compositor.
Os shows contam com abertura de artistas convidados. As apresentações são antecedidas por workshops a serem realizados no mesmo local, às 18h30, para reforçar o propósito de difusão e valorização da música popular brasileira, autenticamente baiana. O acesso aos shows e workshops se dará mediante a troca de ingressos no local por 1 kg de alimento não perecível, sujeita à lotação da casa e classificação de 16 anos. O projeto, idealizado pela artista Dora Bahiana, conta com a parceria de Taís Fraga, produtora cultural e diretora da Sangue no Olho Projetos e Soluções Integradas.
Alcyvando Luz
Alcyvando Liguori da Luz (1937 - 1998) foi um compositor, multi-instrumentista, cantor, maestro, arranjador e regente. Nasceu em Barreiras, no oeste baiano, e aos cinco anos, acompanhado por uma orquestra de 80 músicos, estreou pela primeira vez ao público com o solo Aquarela do Brasil (Ary Barroso) – fazendo jus ao ditado que diz que “baiano não nasce, estreia”. Ele marcou várias gerações com sua versatilidade e consistência musical, deixando um acervo inédito com mais de 20 canções e experimentações. A Bahia perdeu um dos seus maiores talentos musicais ao final dos anos 90. Alcyvando faleceu quando tinha 60 anos, deixando um legado musical inspirador, com obras absolutamente atemporais e de valor inestimável para a Bahia.
Dora Bahiana
Desde a infância, a artista já demonstrava ritmo e harmonia vocal, o que a levou à música. Iniciou sua carreira artística em 1995. Em sua vida já tentou trabalhar em outras áreas, mas para a artista, o que dá sentido à sua existência é o cantar, a música. Estreou no Teatro Expresso Bahiano no evento Terças Coopearte, com o espetáculo: Dora Bahiana… do Brasil. Foi convidada pelo poeta Capinam para interpretar uma de suas canções no Teatro do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM–BA), acompanhada ao violão por Alcyvando Luz. A convite de Edil Pacheco, participou do Carnaval de Salvador em 1996. Fiel à música bem elaborada, compôs a formação da Orquestra 10 como vocal, apresentando-se no Projeto Pelourinho Dia e Noite e em diversos eventos. Em 2000, foi indicada como melhor intérprete do Troféu Caymmi com o show Poetas. No cinema, interpretou a maioria das peças musicais da trilha sonora do longa metragem Retrato do Poeta, de direção de Silvio Tendler.
O encontro de Dora Bahiana com Alcyvando Luz
Um amigo do “Nêgo Véio da Bahia” assistia a uma apresentação da talentosa cantora e imediatamente se deu conta de que precisava unir aqueles dois na música. “A luz de Alcyvando se esconde nas dunas da Boca do Rio”, dizia José Carlos Capinam. E foi no seu estúdio, na Boca do Rio, que Alcyvando Luz se apresentou à Dora Bahiana com um violão na mão, não dando alternativa a ela senão soltar a voz. Desde então, os dois não se separariam mais, nem nos palcos nem na vida. Nascia ali uma relação fraternal e de amor à música. “Eu acabei me apaixonando pela obra dele e ele por mim, como cantora”, revela Dora.
Alcyvando Luz a levava com ele para os points de encontro dos artistas, como o bar Pimentinha, na Boca do Rio, onde Dora teve a oportunidade de tocar com Luiz Melodia. Foi ao lado de Alcyvando que Dora Bahiana conheceu também Capinam, Roberto Sant’Ana e Edil Pacheco, amigos do artista que acabaram fazendo parcerias também com a cantora.
À época que se conheceram, Alcyvando já estava finalizando aquele que seria seu último disco: Bahia de Oxalá. Para a tristeza do Nêgo Véio, Dora não teve tempo de participar. Porém, fizeram juntos inúmeras experimentações nos últimos anos de vida dele. Apesar do seu grande reconhecimento no meio artístico, a obra de Alcyvando foi pouco difundida.
Espaços Culturais da SecultBA - A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia mantém 17 espaços culturais geridos pela Diretoria de Espaços Culturais (DEC), e localizados em diversos Territórios de Identidade. Destes, cinco encontram-se em Salvador - Cine Teatro Solar Boa Vista, Espaço Xisto Bahia, Casa da Música de Itapuã, Centro de Cultura de Plataforma e Espaço Cultural Alagados - e 12 nos municípios de Alagoinhas, Feira de Santana, Guanambi, Itabuna, Jequié, Juazeiro, Lauro de Freitas, Mutuípe, Porto Seguro, Santo Amaro, Valença e Vitória da Conquista.
Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.