15/05/2016

Fotos: Rosilda Cruz
Delírio mesmo foi na entrada do Rei do Ébano, Lazo Matumbi, que, mesmo em cadeira de rodas por causa de um problema de joelho, soltou a voz mais potente da noite. Chamado de ídolo por Brown, entrou no palco todo de branco para cantar “Alegria da Cidade”, composição dele e do secretário de Cultura, Jorge Portugal, e, em seguida, fazer um discurso de Leão Africano, cobrando mais igualdade e criticando o fim do Ministério da Cultura, questão pela qual Brown e também a Baiana System fizeram coro.
A turma do cantor Russo Passapusso acabou de botar fogo na arena. Nem mesmo a chuva leve caída entre os dois shows conteve a plateia que desceu à beira do palco para pular e cantar com os Sytematizados. Se o clima já era de completa imersão nas emboladas mântricas dos garotos de preto, não houve nada mais imponente do que presença ao mesmo tempo doce e pujante de Ney Matogrosso, convidado para cantar com a banda sucessos da época dos Secos e Molhados, até desembocar em o “O Tempo não Para”, de Cazuza, no melhor dos arranjos do show. Ney foi ovacionado por mais de um minuto.
Porrada de graves e agudos, os shows de Brown e principalmente Baiana System foram o teste conclusivo do novo e ótimo equipamento da Concha. Tudo mais do que audível para nunca mais esquecer.