Chega de saudade, os Novos Baianos estão de volta

16/05/2016
novos baianos na concha
Foto: Rosilda Cruz

Acabou chorare, os Novos Baianos se reencontraram no palco após 17 anos, neste domingo, 15 de maio de 2016. Os cerca de cinco mil felizardos que lotaram a Nova Concha assistiram, mais do que a um grande show, a uma bela página da história musical na Bahia.

Uma Concha cantando em uníssono teve a prova final de qualidade: foi testada no último volume da emoção quando Baby, Pepeu, Paulinho Boca, Moraes e o grande letrista da galera do Sítio do Vovô, Luís Galvão, se encontraram em frente à multidão.

Se o bit cardíaco já era intenso nas canções introdutórias, que reavivavam a história do grupo, entrou em completa ritmia quando Baby puxou “A Menina Dança”, a primeira da noite que evocava o antológico álbum “Acabou Chorare” (1972). Daí em diante, o que se viu e ouviu foi uma onda contagiante tomar a plateia, ora sob os solos dilacerantes de puro rock´n´roll de Pepeu Gomes, ora sob a pegada única do violão maroto de Moraes Moreira.

Público Conchja
Foto: Rosilda Cruz

Seja nas águas calmas de “Preta Pretinha” e da canção-título do álbum que é um marco na história da música brasileira, ambas na voz rouca de Moraes; na “Swing de Campo Grande”, com Paulinho Boca de Cantor à frente, ou na levada frenética da versão para o clássico “Brasileirinho” (Waldir Azevedo), com Baby escrachando no vocal, não havia canção que não fosse acompanhada em alto e bom tom pelo público, que carregava as letras na ponta da língua.

A chuva, que durante toda a tarde, antes do show, parecia querer estragar a noite, foi espantada pela banda da pesada que acompanhou os Novos Baianos, com Dadi Carvalho (contrabaixo e guitarra), os irmãos Jorginho (bateria e cavaquinho) e Didi Gomes (contrabaixo e percussão) – da formação original – e Gil Aguiar (percussão). Uma louvação ao, como Moraes mesmo disse, “produtor espiritual dos Novos Baianos”, João Gilberto, destruiria mesmo qualquer possibilidade de clima ruim, e a Concha também cantou junto “Chega de Saudades” (Tom e Vinícius) e “Desafinado” (Tom e Newton Mendonça), ambas belamente rearmonizadas por Moraes e Pepeu, respectivamente.

Do rock brasilificado ao samba, do baião à bossa, os Novos Baianos mostraram diversos caminhos da música brasileira, numa mistura que só eles sabem fazer. E ainda largaram um potente “Besta é Tu” para quem não conseguiu entender.

palco concha novos baianos
Foto: Rosilda Cruz

Após final apoteótico com “Na Cadência do Samba” (Ataulfo Alves), aplausos gerais e gritos de bis por mais de três minutos trouxeram a turma de volta ao palco para uma despedida, desta vez sem adeus. Eles repetem o show pelo festival Eu Sou a Concha, na segunda-feira (16), e Baby ainda prometeu outro show mais adiante. Ou seja, segurem-se, os Novos Baianos estão de volta.