17/05/2016

Muitos pisaram pela primeira vez no solo sagrado da música. Outros milhares estavam retornando à Concha Acústica.
Em quatro dias de espetáculos o público foi cúmplice dos artistas e teve o privilégio de assistir a shows grandiosos e a encontros que vão ficar na memória.
A altivez de Maria Bethânia dividiu o palco com a ginga de Margareth Menezes.
Ilê Ayiê, Olodum, Muzenza, Malê de Balê, Filhos de Gandhy borrifaram na atmosfera o perfume do canto negro.
A autenticidade do cacique Carlinhos Brown se juntou à força de Lazzo Matumbi.
Depois foi a vez do inusitado, a pauleira da Baiana System se uniu ao camaleônico Ney Matogrosso.
Por dois dias os fãs dos Novos Baianos foram ao delírio com o reencontro da banda. Ver Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor e Galvão juntos outra vez, teve um Q de quero mais.
A Concha está de volta. Chegou chegando em grande estilo.
Eu fui, e você?
Nós da equipe da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia tivemos a honra de participar da cobertura do evento. Trabalhamos muito, mas também vivemos momentos mágicos. Escolhemos contar para você o que mais nos emocionou.
Livia Calmon – Coordenadora de Comunicação
Como assessora do Secretário Jorge Portugal, participei de várias reuniões. Acompanhei de perto a ansiedade de toda equipe envolvida na obra, na organização do evento. A entrada de Lazzo Matumbi no palco de cadeira de rodas, por causa de um problema no joelho, me fez chorar. Senti o quanto a Concha é mágica, o quanto valeu a pena estar presente. A voz avelulada do negão, posso chamar assim, porque é meu amigo, protestou contra a extinção do MinC, e o público acompanhou em coro. Mais do que nunca me senti brasileira, e brasileiro não desiste nunca!
Luciano Aguiar – Assessor de Comunicação
Ouvir Bethânia recitar versos de “Navio Negreiro”, de Castro Alves, numa noite em que tambores e atabaques dos Filhos de Ghandy, do Ilê Aiyê, Muzenza e Olodum soaram imponentes, foi uma das coisas mais bem encaixadas e fortes da estreia da Nova Concha. Era, entre outras leituras possíveis, a velha cidade do Salvador superando suas mazelas com beleza e arte. E a apoteose dos Novos Baianos fechando o Eu Sou a Concha, após 17 anos separados, por si só já era motivo de sobra para nunca mais esquecer aquele show histórico. Ver Pepeu comendo a guitarra com as mãos, Baby como uma garotinha escrachando nos vocais, Moraes com sua pegada única de violão e Paulinho pondo a voz guerreira a serviço da música, todos juntos, não tem preço.
Renata Pizane – Coordenadora de Mídias Digitais
Eu não lembro a última vez que estive na Concha Acústica, mas vou guardar na memória o primeiro dia desse festival que marcou a abertura do equipamento. Pela primeira vez tive a oportunidade de acompanhar de perto Maria Bethânia, suas músicas e presença no palco. Mesmo soando como uma afronta, ouso dizer que o meu momento na Concha aconteceu na sequência, quando vi o Ilê Aiyê entoar o clássico “O Mais Belo dos Belos” e espalhar sua beleza no palco. Me arrepiei.
Kaiane Terra – Repórter
Meu momento mais emocionante na Concha foi quando Maria Bethânia pediu paz ao Brasil e convocou a plateia para rezar a Ave Maria. Ver todo aquele público orando em prol do amor e da paz foi tocante. Nunca mais tinha rezado aquela oração. Logo em seguida, ela cantou uma música para o orixá Oxóssi, e todo mundo vibrou! A diversidade, a fé e a tolerância presente naquela ocasião foi comovente. Também lembrei de Cachoeira, cidade onde cresci com os dois lados religiosos.