26/08/2016

Pautas sobre drogas são discutidas em primeira edição do do Cidadania Cultural em Debate| Foto: Divulgação
Foi aberto nesta quarta-feira, 24 de agosto, o ciclo de debates “Cidadania Cultural em Debate”, ação que busca reconhecer a amplitude do conceito de cidadania cultural com a discussão de temas que impactam nos direitos culturais de minorias sociais. A primeira edição trouxe como tema “Drogas lícitas e ilícitas: culturas, usos e usuários”, reunindo convidados de diferentes experiências: o professor e pesquisador Edward MacRae, a redutora de danos Cétila Itas e ainda Emanuelle Silva, servidora pública estadual atuante nas políticas sobre drogas, no auditório do PAF 5 da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Eles foram mediados por Luísa Saad, diretora de Cidadania Cultural da Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult), unidade da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) que responde pela iniciativa.
A primeira fala foi de Edward MacRae, professor associado do Departamento de Antropologia e Etnologia da UFBA, pesquisador associado do Centro de Estudos e Terapia de Abuso de Drogas (CETAD) e líder do Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas (GIESP). Ele fez um resgate histórico da presença das drogas na trajetória da humanidade, desde a pré-história até as grandes guerras. “É bom repetir que quase não se conhece cultura humana onde não se haja uso de psicoativos. A necessidade de modular a consciência é historiada desde sempre”, disse MacRae, que avaliou como, em variados momentos e sociedades, diferentes estados de ânimo têm sido considerados necessários e aceitáveis. Ele também refletiu sobre como esta é uma questão silenciada e um viés do racismo: “Até hoje, a gente ouve que maconha é coisa de morro, de favelado, ou seja: coisa de negros. Então, todo negro é maconheiro, todo negro pode ser interditado”, sentenciou.
Cétila Itas, graduanda em Ciências Sociais, idealizadora do projeto Próxima Parada e da iniciativa Vidas Negras Importam, fez relatos de suas experiências como redutora de danos e, sobretudo, como mulher negra que se depara com vivências distanciadas da vida social tida como padrão. No dia a dia convivendo com homens e mulheres em situação de risco, ela defende a dignidade no trato com usuários, para além de uma reflexão simplista sobre o uso recreativo e de liberação de uma droga ou outra. “Discutir o uso de drogas e a cidadania de usuários não pode ser uma questão focada na classe média branca e universitária”, defendeu ela. Apresentando histórias de pessoas em situação de rua, vítimas de exclusões e violências diversas, ela deu conteúdo a uma reflexão sobre como acolher modos de vida marginalizados. “Quando me dizem que uma mulher está louca, eu pergunto: o que será que a fez estar vivendo isso que faz as pessoas dizerem que ela está louca?”, exemplificou.
Por fim, veio a explanação de Emanuelle Silva, diretora de Gestão e Monitoramento de Políticas sobre Drogas da Superintendência de Políticas sobre Drogas e Acolhimento a Grupos Vulneráveis (SUPRAD) da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), especialista em Gestão de Direitos Humanos e mestre em Gestão de Políticas Públicas e Segurança Social pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). “Nosso trabalho existe numa dicotomia: o mesmo poder público que morde é o poder público que assopra”, iniciou. Emanuelle tratou da realidade de uma política que se baseia na repressão, e de como é preciso questionar os modelos, as definições de loucura e, especialmente, o racismo e o posicionamento do negro na sociedade. Segurança e saúde pública também foram citadas, reconhecendo que a droga é um fato social não combatível e carregado de representações preconceituosas.
CULTURA E CIDADANIA – No Brasil, a Constituição Federal coloca os direitos culturais na categoria de direitos humanos fundamentais. Neste contexto, é essencial perceber o conceito de cultura em sua grandeza, que extrapola a produção cultural e artística e se sobressai quanto ao acesso a produtos: ela começa na possibilidade de que as pessoas possam afirmar e valorizar sua própria identidade, se reconhecer como parte de comunidades e da sociedade, além de ter sua integridade e liberdade de expressão protegidas.
O “Cidadania Cultural em Debate” marca uma nova proposição da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), por meio da Diretoria de Cidadania Cultural (DCC), setor vinculado à Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult), no sentido de incorporar em suas políticas perspectivas mais profundas das diversidades culturais. A cada encontro, cidadãos em seu lugar de fala, representantes de movimentos sociais, ativistas, especialistas e gestores públicos dialogam com a plateia. Assuntos emergentes, que vêm repercutindo na vida pública de maneira expressiva, entram numa discussão que se compromete com a inclusão. Assim, esta frente abre olhar para a urgência de que as políticas públicas culturais cumpram seu papel de contribuir para que a livre expressão das variadas manifestações humanas não sejam empecilho para o pleno exercício da cidadania.
Depois da edição inaugural, já estão agendadas as pautas “Cultura LGBT fora do armário: identidades e representações” (28 de setembro), “Infância e juventude: a cultura como chave para o ensino e aprendizado” (26 de outubro), “Culturas negras: proteção, afirmação e resistência” (23 de novembro) e “A mulher, os feminismos e a cultura machista” (14 de dezembro).
A primeira fala foi de Edward MacRae, professor associado do Departamento de Antropologia e Etnologia da UFBA, pesquisador associado do Centro de Estudos e Terapia de Abuso de Drogas (CETAD) e líder do Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas (GIESP). Ele fez um resgate histórico da presença das drogas na trajetória da humanidade, desde a pré-história até as grandes guerras. “É bom repetir que quase não se conhece cultura humana onde não se haja uso de psicoativos. A necessidade de modular a consciência é historiada desde sempre”, disse MacRae, que avaliou como, em variados momentos e sociedades, diferentes estados de ânimo têm sido considerados necessários e aceitáveis. Ele também refletiu sobre como esta é uma questão silenciada e um viés do racismo: “Até hoje, a gente ouve que maconha é coisa de morro, de favelado, ou seja: coisa de negros. Então, todo negro é maconheiro, todo negro pode ser interditado”, sentenciou.
Cétila Itas, graduanda em Ciências Sociais, idealizadora do projeto Próxima Parada e da iniciativa Vidas Negras Importam, fez relatos de suas experiências como redutora de danos e, sobretudo, como mulher negra que se depara com vivências distanciadas da vida social tida como padrão. No dia a dia convivendo com homens e mulheres em situação de risco, ela defende a dignidade no trato com usuários, para além de uma reflexão simplista sobre o uso recreativo e de liberação de uma droga ou outra. “Discutir o uso de drogas e a cidadania de usuários não pode ser uma questão focada na classe média branca e universitária”, defendeu ela. Apresentando histórias de pessoas em situação de rua, vítimas de exclusões e violências diversas, ela deu conteúdo a uma reflexão sobre como acolher modos de vida marginalizados. “Quando me dizem que uma mulher está louca, eu pergunto: o que será que a fez estar vivendo isso que faz as pessoas dizerem que ela está louca?”, exemplificou.
Por fim, veio a explanação de Emanuelle Silva, diretora de Gestão e Monitoramento de Políticas sobre Drogas da Superintendência de Políticas sobre Drogas e Acolhimento a Grupos Vulneráveis (SUPRAD) da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), especialista em Gestão de Direitos Humanos e mestre em Gestão de Políticas Públicas e Segurança Social pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). “Nosso trabalho existe numa dicotomia: o mesmo poder público que morde é o poder público que assopra”, iniciou. Emanuelle tratou da realidade de uma política que se baseia na repressão, e de como é preciso questionar os modelos, as definições de loucura e, especialmente, o racismo e o posicionamento do negro na sociedade. Segurança e saúde pública também foram citadas, reconhecendo que a droga é um fato social não combatível e carregado de representações preconceituosas.
CULTURA E CIDADANIA – No Brasil, a Constituição Federal coloca os direitos culturais na categoria de direitos humanos fundamentais. Neste contexto, é essencial perceber o conceito de cultura em sua grandeza, que extrapola a produção cultural e artística e se sobressai quanto ao acesso a produtos: ela começa na possibilidade de que as pessoas possam afirmar e valorizar sua própria identidade, se reconhecer como parte de comunidades e da sociedade, além de ter sua integridade e liberdade de expressão protegidas.
O “Cidadania Cultural em Debate” marca uma nova proposição da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), por meio da Diretoria de Cidadania Cultural (DCC), setor vinculado à Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult), no sentido de incorporar em suas políticas perspectivas mais profundas das diversidades culturais. A cada encontro, cidadãos em seu lugar de fala, representantes de movimentos sociais, ativistas, especialistas e gestores públicos dialogam com a plateia. Assuntos emergentes, que vêm repercutindo na vida pública de maneira expressiva, entram numa discussão que se compromete com a inclusão. Assim, esta frente abre olhar para a urgência de que as políticas públicas culturais cumpram seu papel de contribuir para que a livre expressão das variadas manifestações humanas não sejam empecilho para o pleno exercício da cidadania.
Depois da edição inaugural, já estão agendadas as pautas “Cultura LGBT fora do armário: identidades e representações” (28 de setembro), “Infância e juventude: a cultura como chave para o ensino e aprendizado” (26 de outubro), “Culturas negras: proteção, afirmação e resistência” (23 de novembro) e “A mulher, os feminismos e a cultura machista” (14 de dezembro).