Cultura em Movimento - Perfil: Lindinalva de Paula

21/11/2016
Lindinalva

Quem:
Lindinalva de Paula
Idade: 54 anos
Profissão: Professora e militante do Movimento de Mulheres Negras

Faz três décadas que Lindinalva de Paula, 54, milita pelo empoderamento social, cultural, econômico, estético e político da mulher negra. Começou sua jornada aos 24 anos, quando entendeu que não era parda, morena e nem mulata, mas sim uma mulher negra que carrega em sua tez especificidades que a estrutura política-social não consegue atender em função da desigualdade de gênero e racial. 

Professora do Ensino Fundamental I e graduanda em Gestão Pública, Lindinalva integra o Núcleo Gestor da Rede de Mulheres Negras da Bahia e do Nordeste, o Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (Sepromi) e é assessora parlamentar na Assembléia Legislativa da Bahia.

Para ela a frase, “Juntas somos mais forte!”, perde sua conotação clichê quando alicerça a Rede de Mulheres Negras da Bahia. Criada em 2013, a Rede agrega mulheres negras de movimentos sociais como LGBT’s, marisqueiras, quilombolas com o propósito de promover debates e empoderá-las. No ano passado, levou uma caravana composta por 18 ônibus à Brasília para a I Marcha do Empoderamento Crespo, que reuniu mais de 50 mil pessoas na luta anti-racista.“Um ganho político, porque mostra que as mulheres estão articuladas”, afirma, e ressalta: “Acho que essa ausência de lugar fez com que nós tomássemos uma postura diferente”.

Outro ponto discutido pela Rede é a Caminhada do Bem Viver. Em fase de construção, a iniciativa tem o intuito de buscar melhorias na educação, saúde, moradia, etc., com base em um modelo de desenvolvimento sustentável antirracista, anti-sexista e anti-machista que tire as mulheres negras da escora da pirâmide social. 

Lindinalva explica que esta luta não é uma novidade, mas a seqüência dos movimentos históricos de mulheres negras brasileiras. “Há 500 anos lutamos pelo nosso espaço. Precisamos estar empoderadas socialmente, politicamente, esteticamente e culturalmente. Só assim iremos retirar a população negra dessa situação de vulnerabilidade, principalmente nós mulheres”.

Este ano, foi candidata a vereadora, mas não conseguiu se eleger. O motivo, segundo ela, está na ausência de esclarecimento da população negra acerca da importância de ter representações, e entender que a ocupação de cargos políticos é necessária para a implementação de políticas públicas que atendam as demandas da negritude.

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