17/10/2016
Foto: Fidelis Melo
Cachoeira, a cidade heróica da Bahia, sediou entre os dias 13 e 16 de outubro, um dos maiores eventos da cultura do livro, leitura e da literatura do país. A sexta edição Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), para além do público recorde, mesas de debates, lançamentos de livros e dezenas de ações culturais para criança jovens e adultos, deixa um legado, um desejo de continuidade, para o público de todas as idades, como para autores, comerciantes locais, organizadores e realizadores.
A Flica 2016 teve início na tarde de quinta-feira (13) com as duas primeiras mesas de debate, ambas tendo como destaque as mulheres. A abertura teve como destaque a presença da historiadora, ensaísta e escritora, Mary Del Priore, com a mediação do secretário de cultura, Jorge Portugal. E não poderia ter sido melhor começar a Flica, na cidade histórica de Cachoeira falando e debatendo o tema “Histórias da Gente Brasileira”. “Resolvi fazer as pessoas contarem sobre a vida delas”, descreveu Mary, sobre o método de trabalho adotado para escrever sua série de quatro volumes sobre o Brasil colônia. A escritora esquadrinhou o registro memorial e colheu depoimentos para montar um perfil pulsante da formação do Brasil. À noite, a segunda mesa debateu sobre os “100 anos de Zélia Gattai”, com três mulheres, Maria João Amado e Jailma Pedreira com a mediação de Mira Silva.
Nos dias seguintes as mesas continuaram e o espaço ficou cada vez mais disputado pelo público. Sessões lotadas na sexta-feira, no sábado e na manhã de domingo com o “Caruru dos Sete Poetas”. Destaque para a “Mesa 5”, com a participação da homenageada da Flica 2016, Ana Maria Machado, que teve a mediação da escritora e esquisadora sobre literatura infantil e juvenil e literatura brasileira contemporânea, Mônica Menezes. Antes de começar o debate a homenageada recebeu um presente da organização do evento, uma escultura, inspirada nas senhoras da Irmandade da Boa Morte, feira pelo artista cachoeirense Doidão. A entrega foi feita pelo curador da Flica Emmanuel Mirdad e do secretário de Cultura, Jorge Portugal. “É importante a homenagem ainda mais se for em vida, pois é mais significativo, inclusive para a própria homenageada”, ressaltou Portugal.
No sábado as participações internacionais foram os destaques do dia. O escritor colombiano Juan Gabriel Vásquez, debateu com Antônio Prata, o humor sutil e o preconceito disseminado por alguns comediantes. Já a mesa do antropólogo e doutor em ciências sociais, Kabengele Munanga, do Congo, teve Goli Guerreiro como debatedora, sobre a diáspora africana com a temática “Entre cidades atlânticas”, ambas as mesas tiveram a mediação do diretor geral da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo.
Fliquinha
Mas engana-se quem pensa que só o local das mesas de debate movimentou o primeiro dia da Flica 2016. Desde cedo, ainda de manhã a Fliquinha já realizava sua programação voltada para o público infantil e juvenil. Contação de histórias, bate-papo divertido, sessão de cinema e teatro já atraiam os alunos de escolas da região para as atividades culturais.
Foto: Fidelis Melo
Os dias seguiram com outras atividades, incluindo apresentações musicais como a do grupo Pé de Moleca, com o show Brincante, que é resultado da pesquisa sobre matrizes brasileiras (Indígena, Portuguesa e Africana). A proposta do grupo é trazer um momento de fruição musical, onde toda a família é convidada a brincar e revisitar sua criança interior. Teve também um bate-papo musical com o multi-instrumentista, Carlinhos Brown.
No sábado, a Fliquinha continuou com tudo no Cine Theatro Cachoeira. Uma sessão de contação de histórias com a escritora Vanda Machado e apresentação musicada de histórias com o Teatro Griô, de Salvador, deram um tom divertido aos ensinamentos da cultura africana. Uma das histórias contadas e cantadas foi “A Galinha Coquém”, que tem sua origem mítica na África. O conto nos remete à necessidade de boa convivência entre as pessoas e o meio ambiente. Na manhã de domingo a apresentação do Grupo étnico cultural da Bahia e Orquestra de Xequerê, finalizaram as ações da Fliquinha.
Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.