31/10/2016

Quem: Sandro Teles
Idade: 42 anos
Profissão: músico, compositor e professor
“Se você está a fim de ofender / É só chamá-lo de moreno, pode crer / É desrespeito à raça, é alienação / Aqui a preferência é ser chamado de negão / Se você está a fim de ofender / É só chamá-la de morena, pode crer/ Você pode até achar que impressiona / Aqui no Ilê Aiyê, a preferência é ser chamada de negona”.
Quem lê esses versos e um pouco do currículo compositor, coordenador do festival de música e assessor do bloco Ilê Aiyê, Sandro Teles não imagina que só de Ilê Aiyê já são 24 anos de história. Foi sua avó, dona Valdelice, que conduziu o jovem Sandro ao Ilê Aiyê. Ela era sócia do bloco e todo carnaval levava seus netos juntos com ela para a saída do bloco. Ele tomou gosto e ela não pensou duas vezes, tratou de encaminhá-lo para se tornar músico no “mais belo dos belos”. Era uma quarta-feira, e o ano, 1992. “Naquela época, apesar de adolescente, eu já tinha uma noção de percussão e entrei direto para o grupo como músico na banda show do Ilê, e no sábado seguinte fui escalado para primeira viagem como músico do grupo. Foi no Espírito Santo, minha estreia, meu primeiro show no Ilê Aiyê”, conta emocionado. As viagens seguiram e no ano seguinte foi para Califórnia – EUA, e em seguida muitos outros países.Mas a vida de Sandro não era somente viagens como músico do Ilê. Quando não estava em turnê ele trabalhava na parte administrativa do bloco e não tardou a perceber que poderia ir mais longe e resolveu estudar. Cursou Letras com Inglês na Ufba. Com uma vida mais corrida, saiu da administração do bloco e passou a fazer aquilo que faz a diferença para os moradores do Curuzu e da Liberdade, começou a dar aulas de linguagem e consciência negra aos meninos da Band’Erê. Em pouco tempo passou a coordenar a escola.Com a abertura de horizonte dada com as viagens, o estudo e as aulas, não foi difícil unir letra e música. E a sua história com a composição foi espontânea. Em 2007 compôs, em parceria com Mário Pam, a música “Diferentes, Mas Igual” que fala da exaltação ao Ilê. Assim como o Ilê lhe deu um futuro, Sandro aponta para uma reformulação natural dentro do bloco. “O Ilê sempre se preocupou em oportunizar os jovens, foi assim comigo e com muitos outros que veem no bloco uma forma de crescer e ser alguém na vida. O bloco busca se renovar e aposta em nós da nova geração, para pensar no Ilê do futuro, que como diz a música, deve ser ‘diferente, mas igual’”, parafraseia Sandro.
Leia outros perfis da série Cultura em Movimento