Conheça alguns dos projetos culturais aprovados nos Editais Setoriais 2016

04/11/2016
Os proponentes aprovados nos Editais Setoriais 2016 participaram da cerimônia de assinatura do Termo de Acordo e Compromisso (TAC), nesta quinta-feira (3), no Palácio Rio Branco, em Salvador. Foi um momento especial para os 372 selecionados dos 23 segmentos das artes e da cultura contemplados. A solenidade contou com a presença do governador Rui Costa, dos secretários da Cultura, Jorge Portugal e da Fazenda, Manoel Vitório, além de outras autoridades e agentes culturais de todo estado.

A representação das mulheres nos museus de Salvador é o tema do livro “Mulheres negras e Museus de Salvador: um diálogo em branco e preto”, que traz o levantamento que a museóloga Joana Flores iniciou com a dissertação de mestrado no Programa de Museologia da UFBa, em 2015. “A pesquisa mostrou como as negras são estereotipadas a partir da escravidão e sempre é reiterada uma imagem de subalterna”. Essas mulheres, segundo Joana Flores, tiveram sua trajetória na construção do País negligenciada. “Elas carregaram o peso nas costas, literalmente”. Joana Flores analisou o acervo de sete museus em Salvador para formulação da pesquisa que agora, graças ao Setorial de Museus, do Fundo de Cultura da Bahia, vai transformar em livro.

Já o Museu Histórico de Jequié terá seu acervo inventariado a partir de 2017. O projeto também foi aprovado no setorial de Museus, do Fundo de Cultura da Bahia, e dará a oportunidade à instituição de ter todo o seu material catalogado e registrado. “O museu ainda não teve suas peças históricas, que incluem troféus, oratórios, livros, cadeira de dentista e outros, devidamente organizado. São informações que traduzem a memória da cidade que agora terão seu levantamento, inclusive fotográfico, realizado”, conta a proponente cultural Renilda Santos do Vale, responsável pelo projeto.

Outro projeto que será patrocinado é o "GEDAR - Grupo de Estudo de Danças das Deusas e Rainhas", da proponente Suely Conceição, deusa do Ébano do Ilê Aiyê em 1999, hoje consultora e doutoranda. A proposta é criar uma metodologia para identificar as características da dança das rainhas e reis dos blocos afro de Salvador. Para isso, serão realizadas 38 oficinas, resultando em webséries e materiais impressos para distribuição.  "É um trabalho pioneiro que dialoga com deusas do Malê, Muzenza, Cortejo Afro, Ilê. A dança é especifica em cada um desses grupos. Você identifica a que grupo pertence a partir do movimento que eles apresentam", afirma.

Também do setorial de Dança, há o projeto "Doc Tran Chan", um documentário proposto por Aline de Lucena que reconstrói a história do principal grupo de dança contemporânea do Brasil na década de 1980, o baiano "Tran Chan". "Tem muita gente que ouve falar alguma coisa, mas não tem noção do peso que o Tran Chan  teve na época e da reverberação que ainda tem com artistas espalhados pelo Brasil. É um estímulo à  memória na arte da Bahia", afirma a autora.

As políticas públicas de fomento à cultura também são fundamentais para a manutenção dos grupos e coletivos culturais baianos. Nesse edital, dentre os 15 selecionados, está o projeto "Enxergue - Memória, Sonhos e Declarações d´A Outra Companhia". Nos próximos dois anos, por meio de atividades como criação artística, intercâmbio cultural, formação, difusão, memória e interação de linguagens, o projeto pretende resgatar a história do teatro de grupo da Bahia. "Essa política foi a única via que a gente teve em 2016 para projetar 2017. A gente já percebe que tem um olhar do governo do estado para os grupos, coisa que a gente não vem tendo em outras instâncias", aponta Luiz Sena Júnior.

Um dos representantes do interior, a Orquestra de Reggae de Cachoeira, do maestro Flávio dos Santos, vai recriar arranjos da música de ancestralidade africana para o ritmo de reggae, desenvolvendo um trabalho de formação de jovens músicos. Ao fim, a orquestra vai se apresentar em quatro cidades - Salvador, Cachoeira, Santo Amaro e Feira de Santana. "As políticas culturais são muito importante para o desenvolvimento de pequenos grupos. Não que esses grupos vão depender sempre do governo, mas a gente consegue dar um ponta pé maior, se inserir e ter visibilidade", afirma Débora Bittencourt, produtora cultural do grupo.

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) - Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.