14/11/2016

Idade: 36 anos
Profissão: Diretora de Teatro
Fernanda Júlia, beirando os 37 anos de idade (27/11), é Yá-quequerê, Mãe-pequena e Dofona de Omolú do terreiro Ilê Axé Oyá L’adê Inan. É natural de Alagoinhas, cidade da Região Litoral Norte -Agreste Baiano, diretora de Teatro formada pela UFBA. Sua história com o teatro, militância afro, religiosa e de gênero se confunde com a história do Núcleo Afro Brasileiro de Teatro de Alagoinhas (Nata). Falar do Nata é falar de Fernanda Júlia. Tudo começou em 1998, quando o grupo teatral foi criado. Ela e os demais fundadores estudavam no Colégio Estadual Polivalente de Alagoinhas e, a partir de um de proposta da professora Fátima Fábio de querer unir educação a arte, surge o primeiro Festival de Teatro Estudantil de Alagoinhas.
“Por conta do festival eu fiz uma audição para formação de elenco do colégio e desse grupo nasceu o Nata”, conta saudosa. E completa, “No ano seguinte houve uma nova edição do festival e eu fui escolhida pelo grupo para ser a diretora do Nata e desde então estou ocupando essa função”.
Depois da fase estudantil secundarista, Fernanda e o grupo passaram para a fase do teatro amador e começaram a participar de oficinas e de projetos como o Teatro de Cabo a Rabo, do Teatro Vila Velha, isso já em 2004 quando participaram da mostra “Arte do Interior na Capital”, sendo essa a primeira apresentação do NATA em solo soteropolitano. É o início da ponte Salvador – Alagoinhas.
Em 2002, depois de dirigir Senzalas – A história, o espetáculo, Fernanda percebeu que precisava de algo, não mais conseguiria dirigir sem estudar. “Participei de um workshop em Alagoinhas com Elisa Mendes. E foi ela quem me disse que eu precisava fazer direção teatral na UFBA”. Pouco depois Cristiane Sobral, de Brasília, numa oficina em Salvador confirma o que Elisa já tinha dito a Fernanda e ela resolve largar Letras e ingressar, em 2006, na Escola de Teatro da UFBA.
Em 2008 o Nata vence o seu primeiro edital, o Manoel Lopes Pontes da SecultBA, na gestão de Marcio Meirelles que tinha como política pública expandir a distribuição dos recursos de forma mais sensível para interior. “E foi quando entramos profissionalmente na cena teatral. É significativo, pois, esse edital foi o primeiro que um grupo de Alagoinhas ganhou. Realizamos o Siré Obá – A Festa do Rei, que nos apresenta como grupo profissional de teatro. A estréia teve a presença de representantes da Secult e Funceb, num terreiro de Candomblé, em Alagoinhas e depois em Salvador”, relembra.
O Siré Obá inaugura a veia poética do Nata e de Fernanda, de dialogar com o teatro de candomblé, como ponto de partida para as suas criações cênicas. “Realizamos esse espetáculo em quatro terreiros em Salvador e oito terreiros no exterior”, conta orgulhosa. Depois do Siré Obá, realizaram a montagem Onã Ilú Ayê, pelo qual circularam por 12 terreiros na capital e interior. Depois a montagem que teve maior repercussão e maior público e com a qual viajaram o país, a peça Exu – A Boca do Universo, que nasceu de um edital de ocupação do Teatro Castro Alves e foi a única que teve sobrevida após finalizar sua passagem no TCA Núcleo.
Fernanda acaba de vencer mais um edital, terá dois anos (2017 e 2018) para trabalhar novas montagens e poderá voltar a Alagoinhas para ensinar o que aprendeu. “O novo edital que vencemos propicia pra nós, depois de tantas idas e vindas para Salvador, de poder devolver pra Alagoinhas o que aprendemos aqui”, diz feliz.