07/12/2016

Todos os caminhos levam a Cidade Baixa neste 08 de dezembro. Centenas de baianos e turistas vão saudar a padroeira da Bahia, Nossa Senhora da Conceição da Praia. Não é à toa que a santa recebeu este título. Sua história se confunde com a edificação da capital baiana. A comemoração é a segunda no Calendário de Festas Populares do estado.
Desde 1549 quando o primeiro governador-geral do Brasil Colônia, Thomé de Sousa, aportou na capital baiana com a imagem da santa e mandou construir uma Capela nas imediações onde hoje está situada a rampa do Mercado Modelo, que Nossa Senhora da Conceição já era considerada a Padroeira da Bahia. Antes, D. João IV já havia proclamado a santa, Padroeira do Reino de Portugal e de todas as suas colônias. Mas segundo o interventor do patrimônio da igreja, Valson Sandes, há apenas 45 anos que Nossa Senhora da Conceição da Praia foi proclamada oficialmente Padroeira da Bahia, em votação na Assembléia Legislativa do Estado.
No ano de 1623, uma igreja foi erguida e chamada de Conceição da Praia. Pois era assim que seus freqüentadores - marujos, navegantes e comerciantes – a referenciavam por estar situada na área portuária da cidade (Comércio).
Os resquícios da estrutura original resistiram ao tempo, mas em 1739, cem anos após sua construção o templo foi substituído por decisão da confraria do Santíssimo Sacramento e pela Irmandade Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Em 1854 o papa Pio XII elevou a igreja à condição de Basílica.
Santa e Orixá
Nossa Senhora da Conceição da Praia é reconhecida como a virgem Maria Mãe de Jesus. No Brasil colonial escravocrata, o sincretismo religioso emergiu e transformou a Nossa Senhora da Conceição da Praia no Orixá Oxum, dentro dos preceitos Candomblecista e Umbandista.
Oxum é Rainha da água doce, dona dos rios e cachoeiras, e uma mulher hábil e determinada. Neste dia 8 de dezembro, os adeptos da religião de matriz africana dão banhos de ervas nos devotos, para abrir os caminhos e trazer boas energias, como parte da liturgia de celebração.
Em sua tese de doutorado “Tempo de Festas: homenagem a Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição e Sant’Ana em Salvador (1860-1940)” – 2010 - a historiadora baiana Edilece Couto atesta a presença da cultura africana ainda na década de 50, “A festa da Conceição era o período privilegiado das apresentações dos capoeiristas. As rodas de capoeira – a luta-dança de origem africana, com meneios do corpo e golpes rasteiros, acompanhada por músicas e instrumentos típicos – se formavam no adro, no largo e no cais. O som do berimbau e o canto do mestre convidavam os dançarinos e lutadores para o círculo”, afirma a estudiosa em um dos trechos do seu livro.
Obra Arquitetônica
O que mais chama atenção na igreja é sua arquitetura grandiosa. De acordo com os autores do livro “Basílicas e Capelinhas”, Biaggio Talento e Helenita Holanda, que traz um panorama histórico de 42 Basílicas de Salvador, o Santuário foi pré-fabricado em Portugal em 1736 e demorou quase sessenta anos para ficar pronto.
A obra é neoclássica, mas com toques do barroco. A pintura no forro do teto é de autoria de José Joaquim da Rocha, fundador da Escola Baiana de Pintura, feita entre os anos de 1773 e 1774. Além dessa intervenção artística, há na Basílica a imagem de Nossa Senhora de Conceição da Praia original, trazida por Tomé de Souza em 1549, que ocupa o altar-mor dividindo espaço com outra imagem esculpida por Domingos Pereira Baião, em 1885.
De acordo como livro de despesas da Irmandade Nossa Senhora da Imaculada Conceição, conservado na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, o custo para construção da igreja foi um dos maiores investimentos já feitos em templos baianos, cerca de 200 mil contos de réis.
A beleza da Igreja chamou a atenção do Papa João Paulo II, durante sua passagem por Salvador em 1991. “Encontrando-me em Salvador, desejei rezar o “Angelus” nesta bela igreja, santuário mariano de toda a Bahia e centro da devoção dos baianos. [...] Na Bahia, o mais expressivo santuário erguido em sua honra é este templo, consagrado a Nossa Senhora da Conceição da Praia, expressão da fé católica e de um filial amor à Virgem Maria no mistério da sua Conceição Imaculada”.
Na carta ao Vaticano, o sacerdote fez questão de relembrar um momento marcante da nossa historia, “o significado deste templo ficou ainda mais enriquecido, quando, em 1971, meu predecessor Paulo VI deu-lhe o título de Basílica Menor e declarou Nossa Senhora, sob o título da Conceição da Praia, Padroeira única e oficial não só da Cidade de Salvador, mas de todo o Estado da Bahia”.
Admirada pelos baianos a igreja foi escolhida como local do sepultamento do corpo de Irmã Dulce em 1992. Mas em 2002, após sua canonização, as relíquias (como são chamados os restos mortais de beatos e santos) foram transferidas para a Capela de Santo Antônio, sede das obras Sociais Irmã Dulce. E em meados da década de 90, durante uma restauração, salas secretas, pinturas e nichos foram descobertos.
Programação da festa
O novenário em preparação à festa ocorre desde o último dia 29 de novembro. Este ano, a Arquidiocese de Salvador estabeleceu como tema central “À luz da Palavra de Deus, louvemos Nossa Senhora da Conceição da Praia no mistério de Cristo da Igreja”.
No dia 8 dedicado à Padroeira da Bahia, serão celebradas missas às 5h, 6h, 11h30, 12h30, 14h30, 15h30, pelos idosos e enfermos e às 18h pela Amizade, com a consagração Solene a Cristo pelas mãos da Imaculada, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort.
A Missa Solene Campal, acontece às 8h e será presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger. Em seguida os fiéis seguem em procissão pelas ruas do Comércio (passando pela Av. Estados Unidos, Praça Conde dos Arcos, Av. França e Av. das Naus).
Também nesta quinta-feira acontecem celebrações em outros sete templos religiosos que levam o nome da santíssima. Em Salvador, nos bairros de Periperi, Valéria, Tororó, Lapinha, e nas cidades de Governador Valadares e Sapeaçu.
Desde 1549 quando o primeiro governador-geral do Brasil Colônia, Thomé de Sousa, aportou na capital baiana com a imagem da santa e mandou construir uma Capela nas imediações onde hoje está situada a rampa do Mercado Modelo, que Nossa Senhora da Conceição já era considerada a Padroeira da Bahia. Antes, D. João IV já havia proclamado a santa, Padroeira do Reino de Portugal e de todas as suas colônias. Mas segundo o interventor do patrimônio da igreja, Valson Sandes, há apenas 45 anos que Nossa Senhora da Conceição da Praia foi proclamada oficialmente Padroeira da Bahia, em votação na Assembléia Legislativa do Estado.
No ano de 1623, uma igreja foi erguida e chamada de Conceição da Praia. Pois era assim que seus freqüentadores - marujos, navegantes e comerciantes – a referenciavam por estar situada na área portuária da cidade (Comércio).
Os resquícios da estrutura original resistiram ao tempo, mas em 1739, cem anos após sua construção o templo foi substituído por decisão da confraria do Santíssimo Sacramento e pela Irmandade Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Em 1854 o papa Pio XII elevou a igreja à condição de Basílica.
Santa e Orixá
Nossa Senhora da Conceição da Praia é reconhecida como a virgem Maria Mãe de Jesus. No Brasil colonial escravocrata, o sincretismo religioso emergiu e transformou a Nossa Senhora da Conceição da Praia no Orixá Oxum, dentro dos preceitos Candomblecista e Umbandista.
Oxum é Rainha da água doce, dona dos rios e cachoeiras, e uma mulher hábil e determinada. Neste dia 8 de dezembro, os adeptos da religião de matriz africana dão banhos de ervas nos devotos, para abrir os caminhos e trazer boas energias, como parte da liturgia de celebração.
Em sua tese de doutorado “Tempo de Festas: homenagem a Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição e Sant’Ana em Salvador (1860-1940)” – 2010 - a historiadora baiana Edilece Couto atesta a presença da cultura africana ainda na década de 50, “A festa da Conceição era o período privilegiado das apresentações dos capoeiristas. As rodas de capoeira – a luta-dança de origem africana, com meneios do corpo e golpes rasteiros, acompanhada por músicas e instrumentos típicos – se formavam no adro, no largo e no cais. O som do berimbau e o canto do mestre convidavam os dançarinos e lutadores para o círculo”, afirma a estudiosa em um dos trechos do seu livro.
Obra Arquitetônica
O que mais chama atenção na igreja é sua arquitetura grandiosa. De acordo com os autores do livro “Basílicas e Capelinhas”, Biaggio Talento e Helenita Holanda, que traz um panorama histórico de 42 Basílicas de Salvador, o Santuário foi pré-fabricado em Portugal em 1736 e demorou quase sessenta anos para ficar pronto.
A obra é neoclássica, mas com toques do barroco. A pintura no forro do teto é de autoria de José Joaquim da Rocha, fundador da Escola Baiana de Pintura, feita entre os anos de 1773 e 1774. Além dessa intervenção artística, há na Basílica a imagem de Nossa Senhora de Conceição da Praia original, trazida por Tomé de Souza em 1549, que ocupa o altar-mor dividindo espaço com outra imagem esculpida por Domingos Pereira Baião, em 1885.
De acordo como livro de despesas da Irmandade Nossa Senhora da Imaculada Conceição, conservado na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, o custo para construção da igreja foi um dos maiores investimentos já feitos em templos baianos, cerca de 200 mil contos de réis.
A beleza da Igreja chamou a atenção do Papa João Paulo II, durante sua passagem por Salvador em 1991. “Encontrando-me em Salvador, desejei rezar o “Angelus” nesta bela igreja, santuário mariano de toda a Bahia e centro da devoção dos baianos. [...] Na Bahia, o mais expressivo santuário erguido em sua honra é este templo, consagrado a Nossa Senhora da Conceição da Praia, expressão da fé católica e de um filial amor à Virgem Maria no mistério da sua Conceição Imaculada”.
Na carta ao Vaticano, o sacerdote fez questão de relembrar um momento marcante da nossa historia, “o significado deste templo ficou ainda mais enriquecido, quando, em 1971, meu predecessor Paulo VI deu-lhe o título de Basílica Menor e declarou Nossa Senhora, sob o título da Conceição da Praia, Padroeira única e oficial não só da Cidade de Salvador, mas de todo o Estado da Bahia”.
Admirada pelos baianos a igreja foi escolhida como local do sepultamento do corpo de Irmã Dulce em 1992. Mas em 2002, após sua canonização, as relíquias (como são chamados os restos mortais de beatos e santos) foram transferidas para a Capela de Santo Antônio, sede das obras Sociais Irmã Dulce. E em meados da década de 90, durante uma restauração, salas secretas, pinturas e nichos foram descobertos.
Programação da festa
O novenário em preparação à festa ocorre desde o último dia 29 de novembro. Este ano, a Arquidiocese de Salvador estabeleceu como tema central “À luz da Palavra de Deus, louvemos Nossa Senhora da Conceição da Praia no mistério de Cristo da Igreja”.
No dia 8 dedicado à Padroeira da Bahia, serão celebradas missas às 5h, 6h, 11h30, 12h30, 14h30, 15h30, pelos idosos e enfermos e às 18h pela Amizade, com a consagração Solene a Cristo pelas mãos da Imaculada, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort.
A Missa Solene Campal, acontece às 8h e será presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger. Em seguida os fiéis seguem em procissão pelas ruas do Comércio (passando pela Av. Estados Unidos, Praça Conde dos Arcos, Av. França e Av. das Naus).
Também nesta quinta-feira acontecem celebrações em outros sete templos religiosos que levam o nome da santíssima. Em Salvador, nos bairros de Periperi, Valéria, Tororó, Lapinha, e nas cidades de Governador Valadares e Sapeaçu.