Exposição Hiperfoto-Salvador encerra temporada no MAM

25/01/2017
MAM
Crédito: Art en direct

Até 29 de janeiro, o Museu de Arte Moderna da Bahia ambienta a exposição Hiperfoto-Salvador, que oferece ao público a oportunidade de conhecer a técnica autoral jamais vista, a hiperfotografia.  Após bem sucedidas exposições no Rio de Janeiro e em Brasília, o fotógrafo francês Jean-François Rauzier apresenta suas espetaculares hiperfotos em Salvador. Para serem produzidas as hiperfotografias de Rauzier passam por um processo longo e complexo. Manipuladas em computador, algumas delas, inclusive, alcançam um volume que pode sugerir uma escultura bidimensional.

A mostra em Salvador apresenta 25 fotografias deslumbrantes - 19 imagens (14 hiperfotos e um pentáptico que compõe um painel de 7,5 metros) de paisagens, da arquitetura e ambientes da capital baiana, e 06 obras das retrospectivas do Rio de Janeiro e de Brasília.   Todas as obras que são expostas em grandes formatos (variam de 1 a 3 metros) oferecem ao espectador a oportunidade de conhecer intensidades que ultrapassam o normal.  Numa única obra o público pode ver tudo e, ao mesmo tempo, somente o que ele quiser. Passear na imagem, ver de perto um detalhe, vê-la em sua totalidade, construindo assim a sua própria história da obra.    O resultado encanta o olhar do espectador.

O trabalho de Jean-François Rauzier dialoga com o cubismo, o mosaico, o surrealismo e o barroco.  As fotografias, impressas em grandes formatos, intensificam o mundo sobre o qual o artista lança seu olhar. Com o computador ele fabrica uma hipercolagem onde em cada uma de suas obras são reunidas inúmeras imagens fotografadas durante suas viagens, criando uma espécie de casamento entre o macro e o micro, o virtual e o real, assim como o imaginário. Se não fosse fotógrafo, seria possível pensar em Jean-François Rauzier como um pintor do sobrenatural que compõe suas obras a partir de pequenas pinceladas em uma tela.

O projeto brasileiro do artista visa apresentar as diferentes capitais escolhidas, Rio de Janeiro, Brasilia, Salvador e São Paulo sob um olhar e técnica únicos que o artista pesquisa desde 2002. Depois de uma exposição sobre o Rio de Janeiro no Museu Histórico Nacional em 2015, e de uma sobre Brasília no Museu Nacional em abril de 2016, esta exposição no MAM de Salvador apresenta a visão do artista sobre esta que foi a primeira capital do Brasil.

“Quis homenagear estes orixás tornados santos cristãos, divindades iorubás dos milhões de escravos que vieram povoar o Brasil emergente. Estas crenças africanas se sobrepuseram à religião católica dos jesuítas portugueses. O sincretismo total, selvagem, a fé universal, os ritos complexos importados da África... tentei traduzi-los visualmente fundindo tudo que vi nestes meus últimos três anos no Brasil”, comenta Jean-François Rauzier.

Para o artista foi um exercício atordoante conseguir expressar as superposições das outras culturas inseridas nesta cidade fascinante, repleta de igrejas e terreiros de candomblé. Ele gosta de chegar ‘virgem’ aos locais que explora com suas milhares de fotografias e descobri-la com paixão numa verdadeira imersão. Com sua sensibilidade, quis transcrever da melhor maneira o que descobriu. Pelas mãos e olhos de Rauzier, Salvador é revelada sob uma nova perspectiva, e os elementos caraterísticos de sua cultura ganharam um novo significado.


SERVIÇO
“Hiperfoto-Salvador” - Jean François Rauzier

Data: até 29 de janeiro de 2017
Local: Museu de Arte Moderna da Bahia (Avenida do Contorno, s/nº - Solar do Unhão)
Telefone: (71) 3117-6139
Horário de visitação: de terça a domingo, das 13h às 18h
Entrada gratuita