06/02/2017

Quem: Pedrinho Rocha
Idade: 59 anos
Profissão: Designer Gráfico
O ano era 1977, e naquele carnaval Pedrinho Rocha com quase 20 anos de idade só queria se divertir com os amigos. Resolveu trocar um desenho que estamparia os macacões do extinto bloco Traz os Montes por uma fantasia. Até então não sabia que a permuta mudaria o rumo de sua vida completamente. "Tem coisas na vida que a gente não planeja", relembra. De fato se tornar um dos mais cobiçados designers gráficos dos maiores blocos do Carnaval de Salvador não estava nos planos daquele jovem. Mas assim tem sido há 40 carnavais. Dentre as muitas peças gráficas da folia, Pedrinho ficou mais conhecido como criador do abadá - título que dispensa. "Eu posso ter criado muitas coisas, mas o abadá não é necessariamente uma criação minha. Foi somente a evolução da antiga mortalha", diz. Ele percebeu que a atitude de dobrar as camisas para encurtar, geralmente feita por mulheres, poderia ser a forma oficial da fantasia. Vendeu a ideia para o Bloco Eva em 1993. "No ano seguinte, todos os blocos aderiram", recorda. Isso aconteceu após 15 anos de atuação no mercado. Pedrinho vivenciou todo o frenesi das reconfigurações do Carnaval de Salvador, em todos esses anos como profissional. Trabalhou para Luiz Caldas, Chiclete com Banana, Banda Beijo, Durval Lelys, Cheiro de Amor, Bloco Crocodilo, Camaleão, Cerveja e Cia, Cocobambu, e outros tantos que surgiram antes e depois. Para 2017 Pedrinho quer reunir algumas das 800 obras gráficas feitas durante seus 40 anos de Carnaval em uma exposição, e também lançar um livro contando os bastidores da festa.