Movimento idealizado por artistas e músicos resgata a poesia de antigos carnavais com música e fantasias. Foto: Edson Ruiz_SecultBA
Marchinhas, MPB, samba, rock n’roll e fanfarras tomaram conta dos corações do foliões no 2º Encontro de Microtrios e Nanotrios, que aconteceu nesta sexta-feira de carnaval, no Terreiro de Jesus. Folia para todos os gostos e gerações é a proposta dessa irreverente reunião promovida pelo projeto Carnaval Pipoca, que conta neste ano com a participação de seis microtrios e quatro nanotrios.
A diversidade de sons e propostas artísticas é o principal atrativo do encontro. De um lado você tem o Bicicletrio Toca Raul com a Banda Arapuka, com os músicos vestidos como personagens característicos do memorável Raul Seixas, tocando releituras de grandes sucessos do “maluco beleza”. Do outro, um nanotrio projetado com 70% de materiais recicláveis, entre pneus e portas, idealizado por Peu Meurray e seu Coletivo Gente Boa se Atrai. “Este movimento nos dá a oportunidade de trazer a poesia do carnaval no nosso trabalho, sobretudo para mim que trabalho com plasticidade”, disse o músico. Desfilaram também nesta categoria de nanotrio o Rixo Elétrico, de Fred Menendez, e a Pipoca Elétrica, idealizada por Murilo Fróes.
Pioneiro da categoria microtrio em Salvador, o músico Ivan Huol vê com bons olhos e animação o crescimento do encontro na festa. “Acho fundamental essa movimentação e não tenho dúvidas de que com o passar dos anos só tende a melhorar”, disse ele, que este ano chamou a atenção dos foliões com o “figurino” do carro assinado, pela segunda vez, pelo artista plástico, designer e cenógrafo Ray Vianna. Outros cinco microtrios fizeram a festa: o Coretinho Elétrico 2017, o Peixinho Elétrico com a Banda Marana, o Projeto Cultural Baianafolia, o Tuk Tuk Tropical - Um Sonoro Carnaval e a Carroça Elétrica Viola Vadia com Neto Balla.
A preferência pelo carnaval democrático no Pelô é unânime entre os foliões, desde os pequeninos aos mais antigos. A pedagoga Luciana Guimarães não perde a oportunidade de mostrar para a filha de dez anos o que ela vivenciou quando criança, época em que sua mãe a levava. “Aqui no Pelô, ela pode se fantasiar e viver essa magia que os microtrios e os nanotrios trazem pra gente, especialmente com as marchinhas de carnavais passados”. Para ela, a folia no Pelô é símbolo de “liberdade, tranquilidade e alegria sem preocupações”, resume.
A festa democrática é uma aposta que agrada a todos e impulsiona a imaginação de quem faz a festa. A cantora Cyda Lima foi para o encontro de microtrios e nanotrios acompanhada das amigas e levou pra festa sua proposta de sustentabilidade. “Esta minha saia foi criada especialmente para curtir o dia de hoje e foi feita somente com papel. É o lixo se tornando luxo”, disse animada.
CARNAVAL DA CULTURA
O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca, Carnaval Ouro Negro e Outros Carnavais. A programação completa de nossa festa está disponível nos siteswww.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br.