20/04/2017

Foto: Elias Mascarenhas
O Terreiro Mokambo - Onzó Nguzo za Nkizi Dandalunda Ye Tempo, localizado na Vila 2 de Julho, próximo ao Trobogy, em Salvador, recebe neste domingo (23), às 14h, o certificado de Patrimônio Cultural do diretor geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), João Carlos de Oliveira. À noite acontece também a Festa de Mutalambô (Oxóssi na nação Kêto). “Estou feliz por receber esse reconhecimento para a nossa casa em uma data tão especial quando reverenciamos Mutalambô, Nkissi de Mãe Mirinha”, afirma Taata Anselmo Santos.
Segundo o diretor do Instituto, o Terreiro Mokambo tem sido atuante junto as políticas públicas culturais com atividades socioeducativas, de salvaguarda da memória e difusão do conhecimento afrodescendente. “O Mokambo venceu o Edital Museus/IPAC (nº15/2013), para elaborar Plano Museológico do Memorial Kissimbiê, com recursos de R$ 89 mil do Fundo de Cultura”, explica João Carlos.
O projeto foi da Associação Pena Dourada, entidade civil que representa o terreiro. “Com as normas do plano museológico conseguimos implantar visitas guiadas, pesquisas, oficinas, dinamizar a biblioteca e o núcleo educativo” completa Taata Anselmo.
REGISTROS, LIVROS e OBRAS – O IPAC foi o primeiro órgão de patrimônio do Brasil a criar outra ação de proteção do bem cultural que é o Registro Especial. “Além da estrutura física, valor histórico, arquitetônico, ambiental e paisagístico, o Registro Especial protege os conhecimentos e as heranças simbólicas dessas matrizes culturais”, ressalta João Carlos. Antes, a única proteção oferecida aos terreiros no Brasil era apenas o tombamento. Já o registro abriga também bens imateriais, que inclui festas e manifestações populares, modos de ser e fazer a cultura.
Através do IPAC, a Bahia foi o primeiro estado a proteger um ofício cultural, o Ofício de Vaqueiros. Carnaval de Maragojipe, festas de Santa Bárbara, Boa Morte e Bembé do Mercado, além da Capoeira, Desfile dos Afoxés e Ofício das Baianas, foram registrados via IPAC. Dentre os terreiros tombados, Pilão de Prata, Ilê Axé Oxumaré, Ilê Axé Ibá Ogum, Ilê Axé Kalé Bokum, Mokambo e Tumba Junçara.
Em Lauro de Freitas, São Jorge Filho da Goméia, Ilê Axé Opô Aganju e Ilê Axé Ajagunã. Em Maragojipe, Ilê Axé Alabaxé, e em Cachoeira o Rumpame Ayono Runtógoli. Ainda em Cachoeira e São Félix, o IPAC fez registro de 10 terreiros, com livro e videodocumentário. Parceria com a prefeitura de Cachoeira para obras nesses terreiros, e cooperação com terreiros de Salvador para melhorar memoriais são outras ações do IPAC.