Entrevista com o pesquisador Hendrik Kraay que participa do Colóquio sobre Independência da Bahia

30/06/2017
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Entre os dias 03 e 06 de julho, o Centro de Memória da Bahia, órgão vinculado à FPC/SecultBA, realiza o Colóquio Guerra e Identidade: A Independência do Brasil na Bahia. O Prof. Dr. Hendrik Kraay (University of Calgary) vai fazer a conferência de abertura nesta segunda-feira (03), às 19h, no auditório Kátia Mattoso, na Biblioteca Central do Estado da Bahia.

Kraay é especialista em História do Brasil e, atualmente, desenvolve pesquisas sobre a festa do Dois de Julho. As obras "Soldados, Oficiais e Sociedade: O Exército na Bahia, Brasil, 1808-1889"; "Política Racial, Estado e Forças Armadas na época da Independência - Bahia 1790 - 1850"; e "O cotidiano dos soldados na guarnição da Bahia, 1850-1889" são algumas das publicações do canadense sobre o tema.

FPC - Como surgiu sua motivação para estudar a história do Brasil e os festejos do 2 de Julho?
Hendrik Kraay - No início da década de 80, quando eu tinha 17 anos, passei um ano aqui no Brasil em intercâmbio e despertei interesse pelo país. Na verdade foi um longo caminho até começar a estudar a independência na Bahia. Durante o meu Doutorado - na década de 90 - passei um ano em Salvador e assisti ao desfile do 7 de Setembro e depois o do 2 de Julho, e me chamou atenção o contraste entre esses dois desfiles.

FPC - Que tipos de contraste você percebeu entre as duas festas?
HK -
O 2 de Julho da Bahia é muito mais popular, tem uma participação maior da sociedade na organização da festa, e em dado momento, houve o 2 de Julho dos bairros, a festa que continuava após o festejo oficial. Quando estava no Rio de Janeiro, inclusive, assisti ao festejo da Independência e também percebi esse contraste. Só quem passou um tempo na Bahia pode perceber o patriotismo do baiano com o 2 de Julho.

FPC - O que isso diz sobre a forma como se deram as batalhas da Independência?
HK -
Foi preciso muita participação popular para expulsar os portugueses, então boa parte da sociedade se envolveu na luta pela independência, inclusive muitas pessoas comuns. O festejo do 2 de Julho se tornou uma festa bem mais popular que o 7 de setembro justamente por causa disso. As batalhas marcaram profundamente a sociedade baiana.

FPC - Em suas pesquisas, o que se destaca quanto ao início destes festejos?
HK -
As primeiras celebrações foram organizadas pelos exaltados, pelos liberais radicais. Após a Sabinada houve repressão da festa, mas na década de 1840 ela foi reconstruída. Durante o Colóquio, abordarei a questão política dos festejos, como se deu essa reestruturação da festa, e reconstruirei a história dos seus símbolos, como os Caboclos, por exemplo.