O amor chega ao MAB com palestra da psicanalista Maria Eunice Santos

28/07/2017
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A palestra ‘Nomes, Lugares e Sentidos do Amor’, com a psicanalista Maria Eunice Santos, será realizada nesta sexta-feira (4), às 18h, no Museu de Arte da Bahia (MAB), integrando o projeto ‘Diálogos Contemporâneos’ do museu. “Estamos operando os mesmos deslocamentos, metonímias e metáforas que estão nas clássicas formações do inconsciente como sonhos, atos falhos e sintomas, com o mesmo nível de opacidade e inesgotável perlaboração”, afirma a psicanalista.

Maria Eunice é membro do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos e do Espace Analytique de Paris. O ‘Diálogos Contemporâneos’ foi idealizado pelo diretor do MAB, Pedro Arcanjo, em maio de 2015 com objetivo de a produção artística dialogar com sociedade e outras áreas linguagens e áreas de conhecimento. O MAB é um dos museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), da Secretaria de Cultura (SecultBa).

Amor-sexualidade – Para a psicanalista Maria Eunice, existe uma educação bem diferente na história para a sexualidade e o amor das mulheres e dos homens. “Há uma luta constante para se quebrar estes paradigmas, mas só pequena percentagem consegue. A maioria vive sob sua égide”, diz a coordenadora do Espaço Psicanalítico Interdisciplinar de Salvador, onde forma grupos de estudos, faz seminários e dá supervisões em questões contemporâneas do psiquismo.

Ela cita o filósofo Henry Corbin, que escreveu sobre como no ato sexual, em determinado momento da história, era indicado que o homem fosse rápido, ereto e ejaculador precoce na relação com a mulher. “Nada de excitá-la muito, nem produzir desejos; o negócio era procriar. Não é a toa que as mulheres se tornavam frígidas e fóbicas”, analisa. “Já tive o caso de um paciente que dizia que ‘as mulheres agora querem tudo, até gozar!’. Esse fato aconteceu há poucos anos e não no século passado. O homem era relativamente jovem, nos seus 40 anos”, aponta.

Literatura – Outro tópico a ser debatido será sobre como o amor aparece na literatura, nos comentários e nas músicas. “Geralmente aparece como algo incontornável, mesmo quando fracassa. É uma experiência fundante do humano, o território em que ele se faz e do qual se defende, porque é uma experiência constitutiva paradoxal: fortalecendo o ser que ama, ele o torna vulnerável”, completa a psicanalista.

Maria Eunice lembra que existem pessoas que pautam sua vida evitando o amor “nos seus excessos, estabelecendo mil acordos e estratégias para não sofrer a força dos seus imperativos. Ao amar, o homem esquece de si e o mais pobre se torna rico e o mais rico se torna pobre. Além das instituições que legislam sobre as relações de conjugalidade, o amor é ruptura com o esperado, fazendo acordo com o status quo para prover sua própria continuidade”, compara.