Cultura em Movimento - Perfil: Rita da Barquinha

22/08/2017
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Nome:
Maria Rita Silva Machado dos Santos
Idade: 69 anos
Profissão: Sambadeira

Quando menina, Maria Rita podia não imaginar que algo que começou como uma diversão se transformaria numa tradição que levaria pelo resto da vida e algo incorporado na cultura popular de Bom Jesus dos Pobres, distrito de Saubara, onde nasceu. Foi ainda criança que, num cortejo dançante até o mar, ela carregou pela primeira vez uma barquinha, na época feita de papel, na noite de 31 de dezembro, com oferendas para agradecer pelo ano que passou e pedir sorte e fartura no que estava por vir, para os pescadores e marisqueiras, que formavam a maior parte da população. “Eu não tive trabalho em aprender a equilibrar. A gente já carregava lata d’água na cabeça, lenha que ia pegar no mato, cesta com mariscos, em comparação a isso carregar a barquinha era fácil”, relembra Rita, que iniciou na tradição por influência de uma moradora mais velha do distrito, que organizava blocos de carnaval. Mesmo vindo morar em Salvador pequena, onde passou boa parte da sua vida, Rita permaneceu ligada à sua terra natal, onde sempre retornava e fazia questão de manter vivo o costume anual. Com o tempo, Rita da Barquinha, como passou a ser conhecida, recebeu convites para se apresentar em diversas épocas, não somente na virada do ano. Organizou um grupo formado sobretudo por jovens, a quem transmite e ensina a valorizar essa cultura, e instrumentistas de samba. Adotou as roupas tradicionais das baianas e transformou o samba da barquinha num cartão postal de Bom Jesus dos Pobres. A barquinha navegou pelos mares muito além do pequeno distrito, passou a ser presença garantida das festas de cultura popular em Salvador, além de outros municípios, estados, atravessou o oceano e chegou até mesmo à França, lembrança que guarda com carinho. “Através da cultura popular eu me sinto uma pessoa muito respeitada e reconhecida. Através da cultura popular eu tenho um passaporte, tenho amigos de tudo quanto é canto dentro e fora do país. Hoje eu, com 69 anos, posso dizer que sou feliz através da cultura brasileira”, se emociona a sambadeira, que com muito orgulho e dedicação carrega uma tradição que caracteriza seu povo, sua cultura e sua história.