21/11/2017
Foto: Lucas Rosário
Um canto de resistência ecoou no Pelourinho na noite desta segunda-feira, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. As caminhadas que aconteceram na cidade nesta data, como as que vieram da Liberdade e do Campo Grande, convergiram no Terreiro de Jesus para uma noite de música, poesia e mensagens contra o racismo e pela igualdade. O Palco Convergência Negra, uma realização do Coletivo de Entidades Negras, reuniu atrações com apoio do Governo da Bahia, por meio das secretarias de Cultura (SecultBA), de Turismo (Setur) e de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi).
O grupo Performáticos Quilombo, que teve sua participação viabilizada através do credenciamento de bandas e artistas e bandas gerenciado pelo Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) da SecultBA, foi um dos destaques da noite com uma apresentação que reuniu diferentes linguagens artísticas, como poesia, dança e música.
Foto: Lucas Rosário
“Entramos com o apoio com o grupo Performáticos Quilombo porque este espetáculo é todo voltado para a negritude. É uma banda que tem compromisso com a igualdade racial, que vive essa luta. Juntos a sociedade civil, o movimento negro e o Governo do Estado estão cumprindo o seu papel”, afirma a coordenadora artística e diretora interina do CCPI, Thelma Chase.
Além de dar nome ao grupo, a expressão Quilombo, no contexto proposto, reflete o compromisso dos artistas com a resistência, trazendo em seu espetáculo os suingues, imagens e ritos provenientes dos guetos e terreiros. No repertório canções de Elza Soares, Sandra de Sá, Chico César, Ilê Aiyê, e também autorais como “Quilombo” e “Obrigação”, além de poesias de Castro Alves, Fernando Pessoa, entre outros.
Foto: Lucas Rosário
“O povo negro foi é, foi e sempre será a força e beleza singela da gente que sente na alma a dor de sempre. É importante essa data, essa comemoração, essa reivindicação, essa consciência negra”, declara o performer, poeta e cantor do Performáticos Quilombo, Antônio Soares, que destaca a importância de nesta data tocar em um lugar como o Pelourinho. “Tinha que ser aqui no Pelô. Nossos ancestrais estão aqui, nossa luta está aqui. Claro que tem que ecoar pelo mundo todo, mas aqui é a raiz”, conclui.
Além do grupo, também passaram pelo Palco Convergência Negra nomes da música afro baiana, como Márcia Short, Swing do Pelô, Cristiano Leão, Preto Caro, Bamboxé e Banjolada, unidos na programação promovida pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN). “O CEN desenvolve uma série de atividades políticas para o desenvolvimento da comunidade negra como um todo. Esta noite significa para nós um ato político cultural para dizer que, ao mesmo tempo que temos músicas que exaltam a nossa cultura, como aconteceu na África do Sul com Nelson Mandela, que as pessoas se manifestaram dançando e cantando, a gente pode também com discursos alertando a comunidade negra sobre o quadro que vivemos”, declara o diretor da CEN, Marcos Rezende.