22/11/2017

A coreógrafa, professora e pesquisadora Lia Robatto, militante das artes há mais de 50 anos, é a convidada do Museu de Arte da Bahia para fazer a palestra da 19ª Edição do projeto Leituras do Mundo que acontece na próxima quinta-feira (23), às 17h, na Biblioteca do MAB com entrada franqueada ao público. O tema da palestra seguida de debate é "Escolas de Arte da UFBA e a vanguarda na Bahia dos anos 70".
Com um currículo rico de realizações e reconhecimento do público e crítica, Lia vai passear na memória das artes cênicas da Bahia dos anos 50 e 60, época que o Reitor Edgar Santos da Universidade da Bahia criou as escolas de arte, que geraram uma comunidade unida onde havia intenso intercâmbio de idéias e trabalhos integrados. Quase todos os professores vieram de fora e a maioria de alunos era formada por baianos de Salvador e do Interior do Estado. Segundo Lia Robatto, "formou-se uma interessante comunidade numa cidade carente de artistas profissionais ou alunos em formação, principalmente entre o pessoal de música, teatro e dança, quase todos se sentindo um tanto excluídos numa cidade ainda muito retrógrada e fechada aos comportamentos e idéias 'extravagantes' dos artistas".
As três novas escolas de arte nasceram e se consolidaram sob o signo da modernidade, sob forte influência da arte europeia e norte-americana. O grande diferencial da arte gerada na Bahia era a forte presença da cultura popular de herança ou africana ou sertaneja, que permeava toda a poética criativa em curso, nesta rica combinação da reverência ao passado, tradicional e popular mesclada com uma nova linguagem na perspectiva do futuro e do erudito.
Lia lembra que os alunos e professores de Música, Teatro e Dança da UFBA, costumavam assistir aulas, palestras, oficinas e apresentações uns dos outros, já prenunciando uma desejável interdisciplinaridade. Também alunos de várias outras áreas, não só de artes, frequentavam assiduamente as atividades dessas escolas, como Glauber Rocha e Caetano Veloso. Esse ambiente, disse Lia, gerou, dentro e fora da universidade, uma produção artística rica em experimentalismos, a chamada arte de vanguarda dos anos 60, onde a Bahia se destacou no cenário nacional.