22/12/2017

Foto: Thamires Tavares
A primeira montagem da peça é do diretor Luiz Carlos Maciel, no Rio de Janeiro, em 1996. Na peça, João Goulart encontra-se com grandes personagens dos campos político, artístico, econômico e intelectual, dos anos 1960 e 1970, colocando em questão o poder em suas diferentes manifestações. No entanto, é sobre o Brasil que Glauber Rocha fala. Diversos olhares sobre o país são confrontados a partir de encontros com personagens como Carmem Miranda, Miguel Arraes, Leonel Brizola e Francisco Julião. Márcio Meirelles conseguiu a autorização da saudosa Dona Lúcia, mãe de Glauber, em 2007.
“JANGO: UMA TRAGEDYA” reflete a história, mas segue o fluxo dos movimentos e diversas questões do agora. O encenador Marcio Meirelles vê no espetáculo um diálogo ainda muito contundente. O texto revive o ex-presidente João Goulart, exilado após o Golpe Militar, e instala na cena um debate contemporâneo sobre o cenário político atual, no mesmo palco em que o Estado brasileiro pediu desculpas e indenizou a família de Glauber pela censura e perseguição criminosa ao cineasta baiano, em 2010
Tropicalista, carnavalesca, irônica, mágica e polifônica, a montagem de Márcio Meirelles é um épico musical, em que a coreografia de Cristina Castro e a trilha sonora original e identidade visual do Tropical Selvagem (Ronei Jorge/João Meirelles e Lia Cunha/Iansã Negrão) se juntam para criar um painel de encontros, trânsitos, memórias e entraves ideológicos do projeto político de João Goulart, conforme escrito por Glauber Rocha. As ideias de Jango, no texto (escrito em 1976) confundem-se com o pensamento do próprio cineasta, que o conheceu em 1972, durante o exílio, e com quem compartilhava uma admiração recíproca.
Com um elenco formado por jovens atores da “universidade LIVRE de teatro vila velha” - completamente atuante nas diversas etapas e áreas de construção desse trabalho – o espetáculo se fortalece com as participações especiais dos veteranos Celso Jr. (ator com mais de 30 anos de carreira), Sergio Laurentino (Bando de Teatro Olodum), de atores formados na LIVRE: Vado Souza e Yan Britto (intérprete de Jango) e do Balé Jovem de Salvador (companhia e programa de formação em dança criado pelo bailarino e coreógrafo Matias Santiago). Além de Jadsa Castro e Caio Terra como músicos da banda ao vivo.
“O que explode em Jango é uma visão poética, histórica, trágica, totalizante, antropofágica, dilacerada, e, paradoxalmente, esperançosa sobre este pedaço da América que Caetano definiu com belas palavras: Ilha Brasil pairando eternamente a meio milímetro do chão real da América.”, sintetiza o jornalista Geneton Moraes Neto (1926-2016).
Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais. Para mais informações, acesse: www.cultura.ba.gov.br