Quinta do Samba arrasta multidão ao Campo Grande no primeiro dia do Ouro Negro

09/02/2018
Bloco Alerta Geral - Carnaval Ouro Negro
Arany Santana / Foto: Andre Frutuôso

Diferentemente, de muitos blocos que deixaram de desfilar neste ano, as entidades de samba mostraram que estão cada vez mais fortes. Apresentações de entidades tradicionais como Alerta Geral, Amor e Paixão e Proibido Proibir abrilhantaram o circuito Osmar (Campo Grande) na noite deste primeiro dia de folia. Rainha do Alerta Geral há dez anos, a atriz global Solange Couto, fez questão de chegar à concentração antes mesmo da saída do bloco.

Assim como ela e em meio aos foliões do Bloco Alerta Geral, estava a Secretária de Cultura da Bahia, Arany Santana. Em defesa do fortalecimento do samba no Carnaval de Salvador, ela destacou a importância história e cultural do ritmo na Folia de Momo. “Desde a década de 70 e antes dos blocos afros, os blocos de samba já existiam. Foram estes toques que fomentaram o movimento dos blocos de matriz africana. Por isso e pela força do samba que nasceu aqui e foi pro sul é que os blocos de samba merecem essa consolidação da tradição na quinta-feira de carnaval na avenida. E o Governo do Estado precisa fortalecer essa tradição. São nossas grandes referências nessa cidade negra”, declarou a gestora pública que fez questão de participar da abertura do Ouro Negro na avenida.

Bloco Alerta Geral - Carnaval Ouro Negro
Foto: Andre Frutuôso

Bloco Amor e Paixão - Carnaval Ouro Negro
Foto: André Frutuôso

Bloco Amor e Paixão - Carnaval Ouro Negro
Foto: André Frutuôso

O ator do Bando do Teatro Olodum, José Washington, também marcou presença no Alerta que puxou mais de dois mil foliões. Para o presidente, José Luís Lopes, mais conhecido como “Zé Arerê”, é uma vitória conseguir apoio para levar um bloco de samba para avenida. “Graças ao Ouro Negro conseguimos trazer o nosso brilho. Essa é a Quinta do Samba e não vamos permitir que os blocos arriem as cordas!”, disse. Logo em seguida foi à vez do Amor e Paixão fazer jus ao título do bloco. Apaixonados pelo samba, os milhares de foliões seguiram pelas ruas animadas pelo sambista Nelson Rufino e os grupos Batifun, Movimento, Fora da Mídia, Samba Mocidade e Pedaço de Cada Um. “Eu sou louca pelo Amor e Paixão. Saio do meu bairro onde fui nascida e venho todo ano”, revelou Dona Eloísa dos santos, 69 anos, moradora do Altos das Pombas, na Federação, onde o bloco foi fundado.

A noite do samba no Campo Grande teve ainda a participação do Proibido Proibir que recentemente perdeu um dos seus dirigentes, o Luís Carlos, o Lula, morto a tiros na porta de sua casa. Durante o desfile carnavalesco, parentes amigos fizeram questão de homenageá-lo usando camisas que traziam sua imagem e com falas fortes durante sua passagem no palco principal do Campo Grande.

Emocionado, o amigo e sócio Waldir Raimundo Pinto de Oliveira, comentou sobre o desfile sem a presença do Lula. 'Ele amava isso aqui. Hoje estamos unidos amigos e família para lembrar dele', disse. O Bloco puxado pela banda Fuzukada trouxe o tema 'Samba de Raiz na Avenida' e arrastou cerca de 600 foliões que entraram madrugada dentro pelas ruas do centro com muito samba no pé.

Sobre o projeto - Gerido pela Secretaria de Cultura, o Programa Ouro Negro credenciou 91 entidades para o carnaval de Salvador nos segmentos afro, índio, afoxés, samba e reggae de Salvador. Em 2018 o projeto comemora dez anos e ao longo deste período vem apoiando e reconhecendo o legado e a importância da cultura negra para o carnaval, como forma de manter a plasticidade, beleza e identidade desses blocos na avenida, assim como a maior participação da juventude, transmitindo o legado para as novas gerações.

CARNAVAL DA CULTURA - O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca e Carnaval Ouro Negro. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br.