Blocos afros levam beleza das comunidades pra Avenida

09/02/2018
Bloco da Capoeira - Carnaval Ouro Negro
Foto: Fafá Araújo

Fantasias impecáveis, coreografias nas pontas dos pés, alas organizadas, tambores soando alto. O desfile de uma entidade de matriz africana é quase sempre fruto de um trabalho feito durante todo o ano e em alguma das comunidades baianas. Com os blocos da Capoeira e o Bankoma não é diferente. Eles desfilaram no primeiro dia no carnaval de Salvador no circuito Osmar, animando a avenida tomada pelo povo negro que veio mostrar a força do trabalho coletivo feito por muitas mãos. Estas são duas das 91 entidades do Projeto Carnaval Ouro Negro, da Secretaria de Cultura (SecultBA).

Com os berimbaus e grandes rodas formadas, o bloco da Capoeira envolve mais de 600 pessoas na construção da entidade. Um grande avião construído pelo mestre Monza Calabar simboliza a importância da internacionalização da Capoeira, um dos temas do bloco em 2018. Além desses, a Diáspora, o grupo folclórico Viva Bahia e a professora Emilia Biancardi, uma das responsáveis pela difusão da cultura afrobaiana pelo mundo, também são temas. 'A capoeira é vida, literatura, educação. É lindo ver o envolvimento da comunidade e emocionante ver o bloco na rua mais um ano', diz Tonho Matéria, presidente.

Com a bandeira de Sergipe no chapéu, o Mestre Sambaia veio de sua terra trazendo mais de 40 pessoas na caravana e fala com emoção sobre a importância do bloco e da Capoeira em sua vida. 'Equilíbrio emocional, qualidade de vida. É isso que a Capoeira me deu. Por isso essa emoção em desfilar em pleno Carnaval', diz o mestre sergipano com mais de 30 anos de rodas de capoeira.

Bankoma - Carnaval Ouro Negro
Foto: Fafá Araújo

Região Metropolitana - Portão é o nome da comunidade em Lauro de Freitas que traz pro carnaval pelo 18º ano o bloco Bankoma. São mais de 500 pessoas que ajudam a cortar tecido, a pensar nas alas, a ensaiar passos e toques durante todo ano. O que faz da entidade mais do que um bloco, um ato de atitude, como garante a presidenta Mãe Lúcia, neta de Mãe Mirinha de Portão. 'Bankoma significa povo, gente, festa. E o nosso desfile vem pra mostrar a força dessa gente e pra falar da terra, da importância de curar a alma, nossa cabeça, nesses tempos difíceis', diz Mãe Lucia sobre o tema é revelado sempre no dia 10 de agosto.

Bankoma - Carnaval Ouro Negro
Foto: Fafá Araújo

'Entrei pro Candomblé por causa do bloco, por ter desfilado com ele. Hoje sou do terreiro e para o Bankoma aprendi a costurar, a pensar a fantasia, a produzir a festa. Vida longa a esse coletivo artístico e cultural', diz emocionada a foliã Claudia Santos que desfila no bloco há 10 anos. O Bankoma ainda desfila no sábado (10.02), no circuito Osmar.
Sobre o projeto - Gerido pela Secretaria de Cultura, o Programa Ouro Negro credenciou 91 entidades para o carnaval de Salvador nos segmentos afro, índio, afoxés, samba e reggae de Salvador. Em 2018 o projeto comemora dez anos e ao longo deste período vem apoiando e reconhecendo o legado e a importância da cultura negra para o carnaval, como forma de manter a plasticidade, beleza e identidade desses blocos na avenida, assim como a maior participação da juventude, transmitindo o legado para as novas gerações.

Bloco da Capoeira - Carnaval Ouro Negro
Foto: Fafá Araújo

CARNAVAL DA CULTURA - O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca e Carnaval Ouro Negro. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br.